terça-feira, 28 de agosto de 2012

Calado

Ando tão calado
Que me pergunto se sou, quem me calo,
Ou se me calam.

Ando tão silencioso que me pergunto
Se sou eu quem imita o silêncio
Ou se é o silêncio que se cala em mim
http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTI4sHZpwujqOm6YZYFq7wKJF7u2u_xidt9C2HiuKBXDa2pjkVA1w&t=1
Ando tão devagar
Que não sei se estou a divagar
Ou suspenso prá germinar

Ando tão irritadiço e tão explosivo
Que não sei se me alimento de nitro
Ou se escarro fogo e abundância

Ando tão genocida
Que acredito que uma nova era precisa surgir
E que o resgate humano ainda é tempo
Antes do tempo surgir.

Ando assim, tão ensimesmado
Que do mesmo lado em que estou
Nada vejo que não seja meu respiro
Entre tantas outras respirações
De inspirações perdidas
Em um turbilhão de vozes ininteligíveis
Babel

Ciclo da Lagarta

Não adianta tua memória recente
Nem o que verdadeiramente sente e se ressentes
Pois que o sentimento do outro, a ele próprio
Sempre será maior a si do que a ti

Não adianta adiar para esperar as respostas
Pois nunca sabemos quando ela virá e se é que virá
Virar do avesso prá encontrar a moeda
E não ter nada o que comprar

http://asvozesdosoutros.blogspot.com.br/2011/12/destruir-e-o-lema.html

Todos estes anos e sempre será fácil renunciar...
Odiar é tão fácil pois só odiando se adia,
A hora "H " do dia "D"
Enquanto se dilui o sentimento sedimento
Que precisa ser explodido, explicado
Mesmo sabendo que não haverá convencimento

Um castelo, uma fortaleza que se constrói em 4 séculos

Pode cair em menos de quatro segundos
Sem ter jamais chance de soerguimento

Construir é muito mais penoso de que demolir
Pois não há nenhum compromisso em demolir
Que não seja derrubar, jogar ao chão.
E para construir é preciso preocupar-se com o compromisso
De tirar do chão e elevar aos céus
Como uma oferenda
Como um troféu
Mostrando ao Criador
Que Ele não cria só dor, mas também ardor, fé, esperança.

Destruir é muito mais fácil
Difícil é retirar todos os despojos.

Olhar prá dentro de nós mesmos
É ver o que está construído e o que está sendo demolido
Até que não reste mais nada
Que valha a pena mais ser observado ou preservado
Pois viver não admite culto nem cuidado
Já que da mesma forma que se cria
A vida se desfaz.

Ninguém pode nos imputar nenhuma penitência

A não ser nós próprios
Pois é preciso, primeiro, perceber as estações
E depois entender por que as flores desabrocham
E como funciona o ciclo
Da evolução da lagarta

O movimento dos ventos e das tempestades
E por que troam tão alto os trovões
Quando riscam os ceus os raios descontrolados.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A partida

Na verdade começar sempre é difícil...
Depois que se dá a partida
Quem define o destino é a estrada
E me pergunto sempre
Por quê em toda partida
A gente sempre tem necessidade de voltar?

A luz reverbera-se, mas, não volta a sua origem.

A origem continua sendo o lugar
De origem
Mas ninguem volta ao útero
Ou ao cano da arma disparada
Ou à vida, depois de ter estado pendurado na corda
Onde pendeu o pescoço de Alberto
Arrependido de ter inventado a nave

Que se tornou artefato bélico

http://mente-hiperativa2.blogspot.com.br/2012/04/o-hospicio-parte-2.html
Sei lá!
Acho que a caminhada é só um ensaio
Pois chega um dia que a gente sai e não volta mais
Mesmo que se queira voltar

Quando isto acontecer

Não adianta o estouro do pneu
O mensalão e nem o barulho do Cachoeira
Pois a Justiça será somente a dos homens
E a mídia, das estrelas

Quando isto acontecer

O homem não será mais homem
Será a fagulha de uma nova origem
Que nascerá em algum outro lugar insano

Diferente deste hospício em que nos tratamos.






Palito de Fósforo

A chama do fósforo se esgota no palito
Você o risca e ele vai queimando,
Queimando,
Até não ter onde queimar
E até onde não haja mais fogo
Nem chamado


Enquanto o fogo arde
É quase impossível apagar
Enquanto queima...
Mas com o tempo
Não há mais onde queimar
Pois tudo foi queimado





A gente não tá acostumado
A ouvir verdades, pois, dessa forma
Se sente vítima e se revolta.

É mais fácil acreditar nas mentiras,

Pois assim perdura a esperança
Que dura até que se acabe
Num acabar

A chama do fósforo se esgota no palito
Mas ainda é possível ver as cinzas
Enquanto não vem o vento
Ou enquanto não corre as águas

A memória é a âncora que escraviza
Seu barco ao porto.
Embora tenha velas
Não bastam prá partir pru mar
Sem precisar voltar.

Talvez a melhor viagem seja aquela
Onde se vá sem âncoras
E ao voltar
Não reconheça de onde saiu
Nem prá onde vai


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Acordar



Acordar prá exercitar a compreensão
Mesmo que não compre e nem venda
Os olhos que continuam vendados
Estupefatos, sem acreditar que foi vendido

http://20-de-novembro.blogspot.com.br/2010/08/apenas-o-vazio.html
As vezes é difícil acreditar que um amigo
É igual ao seu maior inimigo
Quando as ações se repetem de um para o outro
Canais abertos de ação
Respiração

Sexta-feira, sétimo dia, sete degraus
Para um pulo, salto alto do alto
Para o vazio...

Os sinos podem continuar tocando
Que os fiéis continuam surdos
E aprenderam ficar mudos
Por mera opção

Beleza agora só nos cartões
Que postam
Apostam em alguns vintens
Paralizando uma imagem no tempo
Aberto num espaço, um vão
Que está aberto no chão
Veias abertas para contaminação
E morte certa!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lapidados



Porquê será que a vida embrutece uns
E lapida outros?
Põe nas mãos de uns, um traulito
E na de outros, a bonança?
http://www.anjodeluz.net/indigo_cristal/criancacristal.htm

Muitos, prá vencer se usam da arma e a bala
E outros, sem preocupar em vencer
Fazem balas com o açúcar
Da cana plantada no campo
Onde descampa a visão

Boco-moco, imemorial são os tempos
Onde todos queriam menos
Prá sobrar para o próximo, o bocado
E em iguais porções matar a fome
Que nunca matou ninguém.
Mas, nos tempos modernos o poder
Onde poucos tem tudo
O que resta é dividido
Pelos que pouco têm

Quem precisa não pede, não mede, nem esmola
Quem ama não engana, não esgana, nem abana
Acenando uma banana para o vendaval que vem
Nem desdenha a morte do cão que uiva
Toda noite em que desponta a lua

Aquele que se preocupa só consigo não dá o seio
Nem alimenta a cria
Nem consegue se preocupar com todos
Pois o todo é preocupação de outros
Que são os lapidados
Completamente dados
Outorgados

Vala Comum



Qualquer um é um gigante
Se comparado com um anão
Qualquer mão de um anão
Cobre outra mão, com um aperto
Se igualando em um perdão
Que tem a mesma grandeza no gigante
E se agiganta no anão
http://www.scn.org/rdi/kw-god2p.htm
Qualquer misericórdia não deve
E nem se paga se for confundida
Fundida com a idéia de miséria
Ou até mesmo, discórdia

Qualquer um oferta o pão
Quando o pão é farto
E a mesa, cheia
Qualquer cheia vira vazante
E qualquer chão, varrição

Aflição, desespero ou libação
É ausência serena de esperança
Pois nunca se sabe o que há por detrás da montanha
Que esconde outra e outras montanhas

Há pessoas que são tão pobres
Que sua única riqueza é ter dinheiro
E o único dinheiro que têm
Crêem comprar felicidade, longevidade e exclusividade
Têm medo de que a inclusividade
Possa torná-los iguais e não letais.

Qualquer um é branco ou negro
Quando dentro escorre o mesmo sangue
E os mesmos ossos que sustentam
Iguais em um e outro
Pichains, olhos puxadinhos, vermelhos, caucasianos
Filhos da mesma espécie
Predadores do mesmo pão
Suicidas na mesma ponte
Prisioneiros da mesma prisão
Escondidos por detrás das mesmas grades
Ou atirados na mesma vala
... Comum



Os poetas



Os poetas são aves raras e solitárias
Que usam as asas de poesia
Para consertar os estragos que o homem cria
Na criação do paraíso


http://obviousmag.org/archives/2007/07/drummond_morte.html
Embora desde criança
Nas estórias que li dos meus heróis
Nunca terminavam com seus amores
Construindo uma família e uma vida juntos
Continuavam combatendo os malfeitores
Por toda suas existências

A vida não é perfeita

Pois enquanto vida não é etérea
E desde que se faz, como a luz,
Vai-se morrendo aos poucos até apagar-se.

A vida está mais como uma ida

Onde os caminhos que foram traçados, se apagam
E não temos como voltar e nem revoltar
Pelo que já está caminhado e terminado.

Os poetas são aves raras e solitárias

Incompreendidos, pois, que seus valores
Não tem valores
Pois que seus amores
É só um amor
Que ilumina toda sua poesia
E aquece ou congela uma vida inteira

Os poetas, sim, são aves

Onde o homem não alcança
Onde o ninho está nas nuvens
E todos os dias são nublados e úmidos
E onde as palavras soam como canções
Vezes cansadas, vezes troantes
Por dentro de um banal fone de ouvidos
... com fio


segunda-feira, 25 de junho de 2012

25 de Junho

 

Em 25 de junho de 1876 ,
George Armstrong Custer
Atacou um acampamento de Lakotas e Cheyennes.
Deu-se início à Batalha de Little Bighorn.
Custer morreu juntamente com os seus homens.

Em 25 de junho de 1903

Nasce George Orwell, escritor britânico.
Considerado talvez o melhor cronista da cultura inglesa do século XX,

Em 25 de junho de 1918

A cidade de São Paulo, Brasil,
Registra a única precipitação de neve na história.

Em 25 de junho de 1924

Nasce Sidney Lumet,
Diretor norte-americano de Cinema.

Em 25 de junho de 1962

Nasce Bussunda
(nome artístico de Cláudio Besserman Viana),
Rio de Janeiro

Em 25 de junho de 1963

Nasce George Michael,
Músico britânico de origem grega.

Em 25 de junho de 1967

É realizada pela primeira vez na história
Uma transmissão mundial de TV ao vivo, via satélite.
Uma apresentação do grupo musical The Beatles
Cantando a música All You Need Is Love,
Escolhida como evento de estréia dessa nova tecnologia

Em 25 de junho de 1989

Falece Edward C. Tudor,
Norte-americano inventor do transmissor.

Em 25 de junho de 1994

Falece Michel Foucault,
Filósofo francês pós-modernista

Em 25 de junho de 1994

Soldados russos desfilam em Berlim
Antes da retirada definitiva da parte oriental da cidade,
Onde permaneceram por 50 anos.

Em 25 de junho de 1995

Falece Ernest Walton,
Físico irlandês e Prêmio Nobel em 1951.

Em 25 de junho de 1997

Falece em Paris
O oceanógrafo Jacques Cousteau

Em 25 de junho de 2009

Falece o astro pop Michael Joseph Jackson
(Gary, 29 de agosto de 1958 — Los Angeles, 25 de junho de 2009)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Defensor

Nosso pior defensor somos nós próprios
Se quando nos defendemos temperamos 
Recriamos a criatura
Estilamos remédio e veneno
Reforçando a maquiagem
De alquem que nem nós 
Se aproxima ser
Facebook

Atados os nós, quem somos?
Tirando a cor, qual a nossa cor?
Tirando nosso cheiro, qual nariz o sente?

Nosso pior defensor somos nós próprios
Deixe que nosso julgamento seja pelos nossos atos
Nossas ações e as reações
Diante de uma plateia que mesmo se parecendo alcateia
Já tem nosso juizo


Inocente todos somos
Mesmo condenados
Pois culpa é algo que imputamos
Ao imputado

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Escarface

Hoje não tenho mais que duvidar
Quando me telefonam o dia inteiro
E em partes respondo quando perguntam
Meu nome.
Sou um desconhecido clássico
Jamais reconhecido
Mesmo quando identifico
Minha identidade
http://blogdamariainez.blogspot.com.br/2011/11/abandone-necessidade-de-reconhecimento.html


Será que quem quer saber quem sou
Quer saber, na verdade, quem é?


Reconhecer-se no outro é reconhecer a si próprio
Mesmo não gostando do que vê refletido.
Identificar diferenças e reposicionar
Saber como mudam as ondas
E abrem a queda
pelo paraquedas.


Leva-se uma vida para conhecer quem achamos conhecer
E outra vida para entender por que mudou
E quando não há mais tempo
Resta a memória que, de certa forma, é um tempo
Que se desdobra num outro espaço
Onde não há mudanças, só danças, vultos
Do que já se foi.


É muito fácil tornar-se um louco
Varrido para debaixo do tapete
Encontrando outros varridos
Presos pelo mesmo ritmo
Que se repete
Infinitamente  dentro do mesmo compasso

terça-feira, 24 de abril de 2012

Desesperança

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv7hhYCNJEfvPjGAsRQ0JC2_odLYf2eiQwwj_y37zGKls_UqbVMqT3QPE4Fasq-kkX3uIe2L03x0nckdJXDFtPQFtoA8JgYqQIKyKYhyRGE6VIHUZBfUNUquhfFGrLOpFPUSUca4LFzJk/s1600-r/caminhos_darwin.jpg
Se posso, direi que sei
Até senti todos os caminhos
Percorridos que se perderam na distância
À medida que as minhas pernas mediam
Metros de estradas sem alcançar
Outros andarilhos que iam e vinham
Trilhas de mim pelo globo.

Não há como desprezar
O despreparo do tempo e das dores...
Mas que venha outros tempos e ai se percebe
Que sentado ao relento, parado
A gente consegue ir a todos os lugares
Chegar em todos os lares
Onde emoção, ódio e admiração estão
Sem precisar sequer abrir os olhos
Mesmo sem ver o que vem na vertente adiante
Simplesmente viajante do que vem de dentro de si

Só com o tempo nossas atitudes mais insanas
Se justificam no injustificado
Regidas pelas leis que curam e fodem
O cabaço de uma esperança que cansou-se de esperar
E esqueceu-se do que seja desespero.

sábado, 17 de março de 2012

Faixa de Gaza

Não há mais gase na Faixa de Gaza
E se há cruzes
Elas são Vermelhas, pintadas de sangue
Enquanto o alfabeto é cuspido pelas metralhadoras
Que "jamás" Hamas irá compor
Um acordo e cumprir, com Israel.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQfIhwSBc3VaWQQVfcSV6cLnZvMuxF8hjE75N2ZEe6A3jez_eZ2Uvhyphenhyphenijo7qSNlMlJ7lWO-adfzPoNqkPxRlKTh2q_9nyWnGy2v3ne35vPKSgkZ0_CKgqdm4Fphf_sDELLbK83LwYYdt0V/s400/gaza.jpg
Ainda há a Faixa de Gaza
Mais inóspita do que Atacama
Palco de ataques e intolerância
Enquanto o mundo assiste o mundo
"Vasto mundo"
Mas que cabe no olho de uma câmara
Retransmitido pelos satélites
Reduzidos numa tela
De TV


Marx dizia que a religião é o ópio do povo
E a palestina é o povo
E o ópio é o ódio
A religião a desculpa
E Israel o vizinho indesejado

A Gaza é um quarto de São Paulo
E lá vivem um milhão e meio de pessoas
Bloqueada por Israel não entra alimentos, remédios e nem compaixão.
Em 1987 nasceu o grupo Hamas e com eles as "Qassams".
Os Qassams destroem mais do que matam.
Israel, com seus militares e o bloqueio
Matam mais que os Qassams.
Só Obama ainda não viu.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Idade, desesperança

As vezes basta um olhar
O estilhaçar de xícara na asa de uma abelha
P´ra saber que não vai dar certo
E que o certo é feito
Quando evitamos por saber
Onde o caminho vai dar

A gente cansa de sentir
Naquilo que tanto insistimos
E sabemos que a corda lançada não salvará nada


É difícil ficar olhando
Uma tragédia anunciada
E saber que nem o pão ou as migalhas atiradas
Não serão comidas
Apesar da fome, do frio
E do tapa na cara
Quando quase dormindo
Acreditamos que sonhar
São as asas que nos há de levar
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9E_XI1G68m8d3JWXrvBQF7HAE_zar1q3vgMFtH4d7QYRDF89wQILCGkdHTYBqKgwZdm7bwQKStpH7X7g2uvGIRkldFDb6590W05w5rGz83fvox_qZBHk1Vipv4kPrYlJQf_p_VEwCdoI/s1600/peca-chave-3.jpg


Dizer não, interromper um jorro
É tosca forma de tosar-nos também
Amém
Que as bençãos unge-nos
E nos dobre as forças
P´ra desdobrar os joelhos
Dobrados
Redobrando uma súplica que sobe alto
E não desce mais

Se uma lágrima falasse
Não sei se a sua ouviria
Pois de olhos fechados
Não há como ver a chave
E nem a mão que a faz girar




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poema Torto

Hoje postei no blog
Um poema torto
Tão torto que só pude lê-lo, torto
Pés na cabeça
Sol nos pés

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicdcjFIIeuL0kGo_CEQKhvS9UpkyIN5bOryhZhBnuLjqoXQTyFrpbHdzMuu1fPp0QZJTXkeG-XQhCbiMedB7eL0fY0yM0g7WevI86htby9mpvLp5hP0G4xBa6G8S5rg2VpBCj-ye4k0Sg/s400/espinho.jpg


Era prá dizer tudo que ninguém quis ouvir
Era prá fritar o pão dormido
Já que o ôvo tava pronto
E a gordura ainda quente
Pedia prá não se conter
Espirrando da panela
Besuntando o ar, empestiando-o.

Falava de pena diferenciada pelo mesmo crime.
Prá um, aposentadoria compulsória;
Prá outro, pena de morte.
Falava das grades altas, elétricas onde criei minha prisão
Enquanto que fora delas, o mundo não tinha dono
E se apossava dele toda sorte miliciana
Toda morte pelo mais forte
Todo trote de resgate
Todo estupro e droga
Cabeças de ácidos vagantes
Numa procura de valores, tortos.


Falava da TV onde carne se farta à mesa
Onde sexo é moeda de troca
E o rebolado é a linha de frente
Da escola de samba e do funk
E as massas se movimentam como ondas
Maré que quando vai e  já, volta,

Repetindo-se no infinito
A consciência coletiva cria monstros como Hitler
E sonhadores como Marx
Palhaços como Chaplin
E pseudo homens como André e Edir, o Macedo.

Cada um tem sua crença e se engana quem pensa
Que é na diversidade burra que a sociedade é una
Quando o que mais precisa é evoluir
Em benefício de si própria.


Espia

Preciso apagar a luz
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
http://www.diariodemarilia.com.br/docs/fotos/novo/2009-11-07_1_1257632804.jpg


Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade


Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso


E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua


Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença

O sol

O sol nasceu para todos
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.




https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhig3MrDA32yabmUzYq_3JnkLybDPQZFZ3kUflFynVZvejA6xvhuGiMKllgYqqmr8V6_F_sIOr1BWRJRQC9YNRLuPwFhu96I0BuowrSKZwJMkqUVuTHl8RBHwS4vtb3yblc6zEUkdaKCby-/s1600/olho-e-por-do-sol1.jpg














 













O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.

 
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.

Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Compreensão do eu

Negar a existência de Deus
É o mesmo que reconhecer a possibilidade de Sua existência
Pois o que está fora da consciência e do senso comum
Não nega a si próprio pois é a essência do inexistir.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgT3ReLbJrrBSsM3omwsUV-7USrVJdzPomLoiOjpQBLAtC9NeQimb1Aq54shsyZfQaHggIEmi4hLySdeGQBu-oYBSxRQO7bvNjmX3L_xAhG9KIFAL6B2EBajLTnI9w9ZVdyE_hOxRVzbYG4/s400/mar9ae.jpg



Mas se a existência de Deus está condicionada a nossa consciência
O que seria de Deus se seus semelhantes não existissem?
Deus existiria?


Enquanto espírito, o homem é prova de evolução terrena.
Enquanto carne, o homem é prova de que a vida 

É energia e movimento
Mas os limites da compreensão esbarram sempre

Na compreensão dos dogmas
Na aceitação de que ignoramos como seja o efeito do buraco negro
Mostrando as dimensões do cosmos
Dentro de uma única nota musical


Negar a própria existência do eu
É sufocar os instintos dentro de um copo de uísque
Cansado de carregar um corpo
Verruga que dói na fricção com o couro
Quando o que mais se quer é caminhar mais rápido
Chegar mais rápido
Mesmo que seja em lugar nenhum


O homem criou regras sociais para a sociedade
Criou também as exceções para se beneficiar delas
Enquanto prá uns a reclusão se dá por cortar uma árvore secular
P´ra outros a pena é a aposentadoria compulsória

Enquanto vive e seu cônjuge viver.

Esqueceu-se que enquanto homem é castelo de areia
Que com um sopro do vento ou levada das mares
Acaba por se desfazer em nada
Espalhando-se pela imensidão.













quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pensamento da ajuda

Há pessoas que quando pensamos estar ajudando
Em verdade estamos viciando-as na arte de serem ajudadas
Pois desconsideram responsabilidades e abraçam inconsequências
No credo de que sempre haverá aquele
Que segurará suas barras, ensandecimentos e destemperos.



http://www.quenerd.com.br/blog/wp-content/uploads/Wallclimbing.gif

Às vezes a melhor maneira de ajudar é não ajudar
Ou saber dominar a dosagem da ajuda
Deixar que os ovos das tartarugas ecludam
E evitar de jogá-las diretamente ao mar
Pois se ao mar o fizer
Estará sendo rompido um ciclo
Condenando com a ajuda, sentenciando-as a morte.

A prática da misericórdia vai desde doar um pedaço de pão
A sacrificar a cria, que sofre.
Entender os dogmas é alcance inatingível
Só a sabedoria é capaz de entender quando o fósforo riscado
Poderá acender novamente a chama
Quando na hora da ceia
Rugir a fome que famélica
É capaz da fagia do próprio homem
P´ra saciar o homem

Ajudar ao próximo nem sempre é ajudar quem está perto
E sim àquele que precisa, verdadeiramente da ajuda
Pois quem precisa não pede
Quem pede, pede mesmo sem saber que pede
E é capaz de jogar ao chão as migalhas
Procurando ao longe
Novo ajudador.

Às vezes com a ajuda do próximo
Edifício que desaba
Leva ao chão outros dois
Av. 13 de maio, Cinelândia, Rio
25 de janeiro ano de 2012
"Ainda não se sabe o que teria causado
O desabamento do edifício"



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lugar ao Sol

Todo mundo merece um lugar ao sol
Mas às vezes precisamos nos deslocar um pouco
Rotacionar, atirar-nos ao lado
P´ra fugir da sombra de outra pessoa
E poder ver a nossa própria sombra
Projetar-se no infinito



Nem sempre estamos fortes
Apesar de precisarmos ser fortes
Levantar a bandeira e fazê-la tremular ao vento
Sujar com o próprio sangue a espada
Para que não se perca toda a batalha

Nem sempre o belo sapato na vitrine
É o que melhor nos calça
E nem sempre a vestuário mais caro
É que nos torna mais ricos ou melhor vestidos.
Nossas escolhas correm o risco de serem as piores
Para nós próprios
E saber escolher é uma arte
Pois acontece, muitas vezes,
De que invés de determos o poder da escolha
Somos nós, em verdade, os escolhidos.

Para tudo há uma dose certa
E decerto seremos nós próprios que precisamos servi-la
Pois se em seu copo deixar que outro derrame a dose
Doze doses extras tomará
Além das doze que já tomou
E não adiantará glicose na veia
Pois Amy Winehouse será o exemplo
E a natureza não terá mais perdão
Para perdoar.

Você é dono de seu próprio destino
Mesmo que não tenha tino, discernimento ou asas
Pois se há uma grande certeza
É que um dia, aqui o dia, sempre acaba.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desliguei o celular

Desliguei o celular
Já não ouço e nem ouso, ousar.
Não vejo mais quem me chama
Deixei o passe de ônibus passar e vou caminhando
A pé... Sempre chegando onde preciso enxergar.


http://bp0.blogger.com/_xOnMm_HrFWQ/R5friEAz0dI/AAAAAAAAAqM/coviPmOvRVY/s1600-h/O+caminhante.jpg


Já não vejo tanto como antes
E apesar de pisar pelos mesmos caminhos
Que ainda traço
Meu trote passa sob o riso do sol e lágrimas da chuva
Em contato com meu suor de sal e respirar resfolegante
Numa deselegância silenciosa
Escondida num mesmismo que ninguém nota
Nem anota e por isso
Nada disso importa

Hoje eu e o vento caminhamos juntos
Ele vindo e eu indo
Quando se choca com minha face
E quando minha face em cunha o abre
Disputando os mesmos caminhos
Nos descaminhos que a gente anda

Vai, manda que talvez obedeça
Se a ordem não for pagã
E a luta não for inglória!

Moderna Idade

A modernidade não moderniza a idade
E nem é uma moderna idade.
O hoje  moderno é amanhã memória
Ou esquecimento, aquecimento prá um novo, velho por vir

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com/2010/12/o-testamento-do-mendigo-urbano-reis.html

Após 41 anos o homem ainda não se mudou prá lua
Pois ainda não destruiu de vez a Terra
Apesar de tentativas titânicas e satânicas
Acumulando riquezas que nem sua décima geração
Consegue gastar.


Colarinho branco quem usa são os clérigos
Mas quem ganha são os anticlericais
Imunes da justiça
Mas ainda mortais
Como o cão e o gato
O leproso e o pagão
O rico e o menos rico
E aquele que não tem nem a sombra
Pois que a mesma se usa dele
Prá esconder-se do sol.

As castas estão longe de serem castos
E os cintos dos que continuam gastos
São abertos pela cultura de massa
Onde o poder controla a informação
E a informação se corrompe em conveniências
Dentro da manobras e das proporções.


É muito mais cômodo não ver quem defeca
Criando reservados e portas fechadas
Mas as fezes ainda continuam indo prás águas do rio
Que cortam a cidade em duas
Margem direita e esquerda
E inunda o ar e o meio de uma fedentina insistente
Que só termina quando a gente se acostuma
A não diferenciar ar puro do impuro
Fedor e ardor
Mel e fel
Amor e sexo
Matar ou morrer.









terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Par ou Ímpar

De onde vem a luz que a gente vê
Ou sente, incidente, dormindo silenciosamente
Estampando um sorriso inocente
Demente mundo que se atrasa
Um segundo...
A Terra não é pontual, se atrasa
Para poder esperar... a espera


De onde vem aquele que vem
Se minha espera se desespera
Ao ter que pegar outro trem
Nesta estação, verão, onde as chuvas caem
E minha bôca ainda seca
Cede desejo e sacia.

De onde vem?
Nem sei se quem vem é quem espero
Ou já passou e não vi
Percebi e nem senti
Pois a própria Terra se atrasa
E no atraso acompanho.


De onde vem, enfim?
Não posso adiantar ... o atraso
Não possa atrasar o que está adiantado
O côncavo pode ter sido um dia um quadrado
Que se atirou ao calor da mudança
Muda dança
Sem par e nem ímpar



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Natureza

Às vezes leva-se uma vida para construir
O que com duas marteladas se destrói
Às vezes aquilo que foi destruído
Jamais será reconstruído, reconstituído ou recomposto.

É o processo da feitura da espada
Da subida da escada
E do novelo de lã
Fio-guia p´ra sair ou entrar na gruta
Corda da viola sem violão


A  natureza é madureza... ginasial
Que se repete em enchentes e vazantes
Secas e temporais
Mas que vai se renovando por causa do homem
E se defendendo do mesmo homem
Que depreda, apedreja e abate.


Ninguém sabe se a natureza tem olhos
Mas todos sabem que ela vê e que chora
Águas que eram de março ao chegar o verão
Mas que agora são de janeiro e que nem sempre
São promessas de vida, mas, de morte e avalanches,
Enchentes...


A natureza pode parecer morta
Mas só nos quadros de pintura
Pois os troncos secos seguem a lei de Lavoisier
E o anoitecer é dormida
Para novo amanhecer

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Lenda da Moura Salúquia

Salúquia, filha de Abu-Assam
Noiva do príncipe Bráfama
Em Alentejo não esperava a retomada cristã
Das terras ocupadas.


Bravo Bráfama, lutou pelas terras e por Salúquia
Mas, argutos, os cristãos já venciam a batalha
E tomavam dos mortos as vestes
Para disfarçarem-se e entrar silenciosos
No Castelo de Al-Manijah
Onde Salúquia aguardava seu príncipe Bráfama.


Do alto da torre, Salúquia contemplava a chegada
Das tropas com seu pendão familiar
Ordenou inocentemente a abertura dos portões
Ansiando ver mais uma vez o seu amado
Mas horrorizada viu sair de dentro daquelas vestes
O inimigo que tomava o castelo e as guarnições


Iminente a derrota, Salúquia já se vendo como prêmio
Dos cristãos invasores que dizimavam
Sem o seu bravo Bráfama e sem esperança
Se atira da torre para o grande espanto
Do inimigo e da cristandade.


Criou-se ai a Lenda da Moura Salúquia
Que foi conquistada somente uma vez
Dando seu coração islâmico ao bravo Bráfama


A bela Saluquia preferiu a morte 
A cair nas mãos dos cavaleiros cristãos