A chama do fósforo se esgota no palito
Você o risca e ele vai queimando,
Queimando,
Até não ter onde queimar
E até onde não haja mais fogo
Nem chamado
Enquanto o fogo arde
É quase impossível apagar
Enquanto queima...
Mas com o tempo
Não há mais onde queimar
Pois tudo foi queimado
A gente não tá acostumado
A ouvir verdades, pois, dessa forma
Se sente vítima e se revolta.
É mais fácil acreditar nas mentiras,
Pois assim perdura a esperança
Que dura até que se acabe
Num acabar
A chama do fósforo se esgota no palito
Mas ainda é possível ver as cinzas
Enquanto não vem o vento
Ou enquanto não corre as águas
A memória é a âncora que escraviza
Seu barco ao porto.
Embora tenha velas
Não bastam prá partir pru mar
Sem precisar voltar.
Talvez a melhor viagem seja aquela
Onde se vá sem âncoras
E ao voltar
Não reconheça de onde saiu
Nem prá onde vai

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