quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Palito de Fósforo

A chama do fósforo se esgota no palito
Você o risca e ele vai queimando,
Queimando,
Até não ter onde queimar
E até onde não haja mais fogo
Nem chamado


Enquanto o fogo arde
É quase impossível apagar
Enquanto queima...
Mas com o tempo
Não há mais onde queimar
Pois tudo foi queimado





A gente não tá acostumado
A ouvir verdades, pois, dessa forma
Se sente vítima e se revolta.

É mais fácil acreditar nas mentiras,

Pois assim perdura a esperança
Que dura até que se acabe
Num acabar

A chama do fósforo se esgota no palito
Mas ainda é possível ver as cinzas
Enquanto não vem o vento
Ou enquanto não corre as águas

A memória é a âncora que escraviza
Seu barco ao porto.
Embora tenha velas
Não bastam prá partir pru mar
Sem precisar voltar.

Talvez a melhor viagem seja aquela
Onde se vá sem âncoras
E ao voltar
Não reconheça de onde saiu
Nem prá onde vai


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