As vezes basta um olhar
O estilhaçar de xícara na asa de uma abelha
P´ra saber que não vai dar certo
E que o certo é feito
Quando evitamos por saber
Onde o caminho vai dar
A gente cansa de sentir
Naquilo que tanto insistimos
E sabemos que a corda lançada não salvará nada
É difícil ficar olhando
Uma tragédia anunciada
E saber que nem o pão ou as migalhas atiradas
Não serão comidas
Apesar da fome, do frio
E do tapa na cara
Quando quase dormindo
Acreditamos que sonhar
São as asas que nos há de levar
Dizer não, interromper um jorro
É tosca forma de tosar-nos também
Amém
Que as bençãos unge-nos
E nos dobre as forças
P´ra desdobrar os joelhos
Dobrados
Redobrando uma súplica que sobe alto
E não desce mais
Se uma lágrima falasse
Não sei se a sua ouviria
Pois de olhos fechados
Não há como ver a chave
E nem a mão que a faz girar
