Sou do tempo em que passos livres
Era a essência do libertário.
Hoje, nas ruas, clama-se por "passe livre"
Onde as extensão dos passos é roda
E a liberdade é liberalidade.
Não se faz mais hoje, do pau, uma canoa,
Nem do remo o empuxo.
Até as bicicletas perderam a necessidade dos pedais
E os motores, nelas instalados,
suprimiram a força motora
Dos músculos e tendões.
No meu tempo liberdade era sorver coca-cola
E retornar o casco.
Hoje os cascos são descartáveis
E a natureza, saco de lixo
Que compromete as gerações
Entope o leito dos rios
De plástico e expurgo
Expulsando peixes
Impregnando de fedor irracional
O ambiente comum.
Onde está a evolução?
O que se aprende com quem veio e ainda vem?
O poder econômico realmente tem poder
De explorar o homem e retornar ao homem
Sua incapacidade de ser eterno
Na sua inata certeza de efêmero
Eu rio e o rio seca
Abandona o leito e se levanta
Prá ir embora, embora todos saibam,
Que ele não volta mais.
Fica a sede e nela o deserto
Espelhando a aridez que vive dentro de nós
