segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Passe Livre

Sou do tempo em que passos livres
Era a essência do libertário.
Hoje, nas ruas, clama-se por "passe livre"
Onde as extensão dos passos é roda
E a liberdade é liberalidade.



Não se faz mais hoje, do pau, uma canoa,
Nem do remo o empuxo.
Até as bicicletas perderam a necessidade dos pedais
E os motores, nelas instalados,
 suprimiram a força motora
Dos músculos e tendões.

No meu tempo liberdade era sorver coca-cola
E retornar o casco.
Hoje os cascos são descartáveis
E a natureza, saco de lixo
Que compromete as gerações
Entope o leito dos rios
De plástico e expurgo
Expulsando peixes 
Impregnando de fedor irracional
O ambiente comum.

Onde está a evolução?
O que se aprende com quem veio e ainda vem?

O poder econômico realmente tem poder
De explorar o homem e retornar ao homem
Sua incapacidade de ser eterno
Na sua inata certeza de efêmero

Eu rio e o rio seca
Abandona o leito e se levanta
Prá ir embora, embora todos saibam,
Que ele não volta mais.

Fica a sede e nela o deserto
Espelhando a aridez que vive dentro de nós

domingo, 5 de janeiro de 2014

O Rio

Eu rio
Enquanto o rio ri
Do precipício
Das curvas sinuosas
Até chegar ao mar

A gota de meu suor não vai ao mar
Nem a gota do orvalho sabe nadar
Ambas sobem ao ceu e voam pelo ar

Até chegar ao mar o rio morre todo dia
E a cada dia renasce por seus afluentes
Para enfim ser só mar
Amarras de profusão
Potência de imensidão
Imersão
Unicidade

Eu rio e o rio ri
Pois não basta ter um caminho
É preciso caminhar por ele
É preciso precipitar-se pelas encostas
Realinhar o percurso quantas vezes forem necessários
Pela sinuosidade do curso
Até chegar ao mar

Apesar de todos estarmos no mesmo curso
Nem sempre chegamos juntos
Mesmo pertencendo ao mesmo filete de água
Deslizando pelo mesmo leito.

Eu rio e erro
E somando os erros
Pelo erro procuro como não errar
Pois longe o mar nos chama
E é preciso deslizar