Para não pirar tomei um antipirético
E a temperatura não cedeu
Se deu que a loucura não tinha cura
Era a consciência plena e serena
De que não queria nenhuma ideologia
Prá viver
Tantos ideólogos e nenhum único norte
Morte súbita aos súditos e monarcas
O reino unido se fez por intesses comuns
Enquanto a baioneta e as armas estiverem guardadas
E a bandeira hasteada
Para não pirar comi um purê de batatas
Mas só a fome que foi calada
E a noite ainda estava longe por vir
Até que ouvi no auto e falante um som balançar
... era só o sino da igreja chamando
Clamando aos fiéis a orar.
Olhei para meu fogo
Era fato que não era fátuo
Mas muita lenha ainda
Haveria de queimar
Muita queima ainda
Haveria de arder
Muita dor ainda
Haveria de doer
Até que pudesse apagar aquela pira
Olímpica, onírica e iconoclasta
De uma vida, ida tão distante
Que os dedos do pé estão em massa
Sanguinolenta dos atritos contra os seixos
A lama, poeira e os caminhos.