sexta-feira, 27 de abril de 2012

Defensor

Nosso pior defensor somos nós próprios
Se quando nos defendemos temperamos 
Recriamos a criatura
Estilamos remédio e veneno
Reforçando a maquiagem
De alquem que nem nós 
Se aproxima ser
Facebook

Atados os nós, quem somos?
Tirando a cor, qual a nossa cor?
Tirando nosso cheiro, qual nariz o sente?

Nosso pior defensor somos nós próprios
Deixe que nosso julgamento seja pelos nossos atos
Nossas ações e as reações
Diante de uma plateia que mesmo se parecendo alcateia
Já tem nosso juizo


Inocente todos somos
Mesmo condenados
Pois culpa é algo que imputamos
Ao imputado

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Escarface

Hoje não tenho mais que duvidar
Quando me telefonam o dia inteiro
E em partes respondo quando perguntam
Meu nome.
Sou um desconhecido clássico
Jamais reconhecido
Mesmo quando identifico
Minha identidade
http://blogdamariainez.blogspot.com.br/2011/11/abandone-necessidade-de-reconhecimento.html


Será que quem quer saber quem sou
Quer saber, na verdade, quem é?


Reconhecer-se no outro é reconhecer a si próprio
Mesmo não gostando do que vê refletido.
Identificar diferenças e reposicionar
Saber como mudam as ondas
E abrem a queda
pelo paraquedas.


Leva-se uma vida para conhecer quem achamos conhecer
E outra vida para entender por que mudou
E quando não há mais tempo
Resta a memória que, de certa forma, é um tempo
Que se desdobra num outro espaço
Onde não há mudanças, só danças, vultos
Do que já se foi.


É muito fácil tornar-se um louco
Varrido para debaixo do tapete
Encontrando outros varridos
Presos pelo mesmo ritmo
Que se repete
Infinitamente  dentro do mesmo compasso

terça-feira, 24 de abril de 2012

Desesperança

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv7hhYCNJEfvPjGAsRQ0JC2_odLYf2eiQwwj_y37zGKls_UqbVMqT3QPE4Fasq-kkX3uIe2L03x0nckdJXDFtPQFtoA8JgYqQIKyKYhyRGE6VIHUZBfUNUquhfFGrLOpFPUSUca4LFzJk/s1600-r/caminhos_darwin.jpg
Se posso, direi que sei
Até senti todos os caminhos
Percorridos que se perderam na distância
À medida que as minhas pernas mediam
Metros de estradas sem alcançar
Outros andarilhos que iam e vinham
Trilhas de mim pelo globo.

Não há como desprezar
O despreparo do tempo e das dores...
Mas que venha outros tempos e ai se percebe
Que sentado ao relento, parado
A gente consegue ir a todos os lugares
Chegar em todos os lares
Onde emoção, ódio e admiração estão
Sem precisar sequer abrir os olhos
Mesmo sem ver o que vem na vertente adiante
Simplesmente viajante do que vem de dentro de si

Só com o tempo nossas atitudes mais insanas
Se justificam no injustificado
Regidas pelas leis que curam e fodem
O cabaço de uma esperança que cansou-se de esperar
E esqueceu-se do que seja desespero.