segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lugar ao Sol

Todo mundo merece um lugar ao sol
Mas às vezes precisamos nos deslocar um pouco
Rotacionar, atirar-nos ao lado
P´ra fugir da sombra de outra pessoa
E poder ver a nossa própria sombra
Projetar-se no infinito



Nem sempre estamos fortes
Apesar de precisarmos ser fortes
Levantar a bandeira e fazê-la tremular ao vento
Sujar com o próprio sangue a espada
Para que não se perca toda a batalha

Nem sempre o belo sapato na vitrine
É o que melhor nos calça
E nem sempre a vestuário mais caro
É que nos torna mais ricos ou melhor vestidos.
Nossas escolhas correm o risco de serem as piores
Para nós próprios
E saber escolher é uma arte
Pois acontece, muitas vezes,
De que invés de determos o poder da escolha
Somos nós, em verdade, os escolhidos.

Para tudo há uma dose certa
E decerto seremos nós próprios que precisamos servi-la
Pois se em seu copo deixar que outro derrame a dose
Doze doses extras tomará
Além das doze que já tomou
E não adiantará glicose na veia
Pois Amy Winehouse será o exemplo
E a natureza não terá mais perdão
Para perdoar.

Você é dono de seu próprio destino
Mesmo que não tenha tino, discernimento ou asas
Pois se há uma grande certeza
É que um dia, aqui o dia, sempre acaba.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desliguei o celular

Desliguei o celular
Já não ouço e nem ouso, ousar.
Não vejo mais quem me chama
Deixei o passe de ônibus passar e vou caminhando
A pé... Sempre chegando onde preciso enxergar.


http://bp0.blogger.com/_xOnMm_HrFWQ/R5friEAz0dI/AAAAAAAAAqM/coviPmOvRVY/s1600-h/O+caminhante.jpg


Já não vejo tanto como antes
E apesar de pisar pelos mesmos caminhos
Que ainda traço
Meu trote passa sob o riso do sol e lágrimas da chuva
Em contato com meu suor de sal e respirar resfolegante
Numa deselegância silenciosa
Escondida num mesmismo que ninguém nota
Nem anota e por isso
Nada disso importa

Hoje eu e o vento caminhamos juntos
Ele vindo e eu indo
Quando se choca com minha face
E quando minha face em cunha o abre
Disputando os mesmos caminhos
Nos descaminhos que a gente anda

Vai, manda que talvez obedeça
Se a ordem não for pagã
E a luta não for inglória!

Moderna Idade

A modernidade não moderniza a idade
E nem é uma moderna idade.
O hoje  moderno é amanhã memória
Ou esquecimento, aquecimento prá um novo, velho por vir

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com/2010/12/o-testamento-do-mendigo-urbano-reis.html

Após 41 anos o homem ainda não se mudou prá lua
Pois ainda não destruiu de vez a Terra
Apesar de tentativas titânicas e satânicas
Acumulando riquezas que nem sua décima geração
Consegue gastar.


Colarinho branco quem usa são os clérigos
Mas quem ganha são os anticlericais
Imunes da justiça
Mas ainda mortais
Como o cão e o gato
O leproso e o pagão
O rico e o menos rico
E aquele que não tem nem a sombra
Pois que a mesma se usa dele
Prá esconder-se do sol.

As castas estão longe de serem castos
E os cintos dos que continuam gastos
São abertos pela cultura de massa
Onde o poder controla a informação
E a informação se corrompe em conveniências
Dentro da manobras e das proporções.


É muito mais cômodo não ver quem defeca
Criando reservados e portas fechadas
Mas as fezes ainda continuam indo prás águas do rio
Que cortam a cidade em duas
Margem direita e esquerda
E inunda o ar e o meio de uma fedentina insistente
Que só termina quando a gente se acostuma
A não diferenciar ar puro do impuro
Fedor e ardor
Mel e fel
Amor e sexo
Matar ou morrer.









terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Par ou Ímpar

De onde vem a luz que a gente vê
Ou sente, incidente, dormindo silenciosamente
Estampando um sorriso inocente
Demente mundo que se atrasa
Um segundo...
A Terra não é pontual, se atrasa
Para poder esperar... a espera


De onde vem aquele que vem
Se minha espera se desespera
Ao ter que pegar outro trem
Nesta estação, verão, onde as chuvas caem
E minha bôca ainda seca
Cede desejo e sacia.

De onde vem?
Nem sei se quem vem é quem espero
Ou já passou e não vi
Percebi e nem senti
Pois a própria Terra se atrasa
E no atraso acompanho.


De onde vem, enfim?
Não posso adiantar ... o atraso
Não possa atrasar o que está adiantado
O côncavo pode ter sido um dia um quadrado
Que se atirou ao calor da mudança
Muda dança
Sem par e nem ímpar



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Natureza

Às vezes leva-se uma vida para construir
O que com duas marteladas se destrói
Às vezes aquilo que foi destruído
Jamais será reconstruído, reconstituído ou recomposto.

É o processo da feitura da espada
Da subida da escada
E do novelo de lã
Fio-guia p´ra sair ou entrar na gruta
Corda da viola sem violão


A  natureza é madureza... ginasial
Que se repete em enchentes e vazantes
Secas e temporais
Mas que vai se renovando por causa do homem
E se defendendo do mesmo homem
Que depreda, apedreja e abate.


Ninguém sabe se a natureza tem olhos
Mas todos sabem que ela vê e que chora
Águas que eram de março ao chegar o verão
Mas que agora são de janeiro e que nem sempre
São promessas de vida, mas, de morte e avalanches,
Enchentes...


A natureza pode parecer morta
Mas só nos quadros de pintura
Pois os troncos secos seguem a lei de Lavoisier
E o anoitecer é dormida
Para novo amanhecer

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Lenda da Moura Salúquia

Salúquia, filha de Abu-Assam
Noiva do príncipe Bráfama
Em Alentejo não esperava a retomada cristã
Das terras ocupadas.


Bravo Bráfama, lutou pelas terras e por Salúquia
Mas, argutos, os cristãos já venciam a batalha
E tomavam dos mortos as vestes
Para disfarçarem-se e entrar silenciosos
No Castelo de Al-Manijah
Onde Salúquia aguardava seu príncipe Bráfama.


Do alto da torre, Salúquia contemplava a chegada
Das tropas com seu pendão familiar
Ordenou inocentemente a abertura dos portões
Ansiando ver mais uma vez o seu amado
Mas horrorizada viu sair de dentro daquelas vestes
O inimigo que tomava o castelo e as guarnições


Iminente a derrota, Salúquia já se vendo como prêmio
Dos cristãos invasores que dizimavam
Sem o seu bravo Bráfama e sem esperança
Se atira da torre para o grande espanto
Do inimigo e da cristandade.


Criou-se ai a Lenda da Moura Salúquia
Que foi conquistada somente uma vez
Dando seu coração islâmico ao bravo Bráfama


A bela Saluquia preferiu a morte 
A cair nas mãos dos cavaleiros cristãos