quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jaqueline Roriz

"Jaqueline Roriz escapa de cassação na Câmara"
Dispara o Estadão perplexo em matéria do dia 31/08/2011.
Mas perplexo não estou eu
pois na história deste país
Quem não escapa da fome, das grades e das prisões
Sempre são descamisados, pretos, pés descalços 
E a minoria étnica em parcas condições sociais
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/mesmo-sem-explicar-v%C3%ADdeo-jaqueline-roriz-escapa-de-cassa%C3%A7%C3%A3o-na-c%C3%A2mara
Os números do decoro deram coro
Foram 265 votos a favor de Jaqueline
166 pela perda do mandado
E 20 seguiram o minelar exemplo de Pilatos.
Eram necessários 257 votos para que o povo pudesse ver
A cabeça de Jaqueline em uma bandeja.

A pena p´ra quem representa a moral e bons costumes
Tinha que ser exemplar
Pois amparados pela própria lei que criam
Esta mesma lei desampara
Quando os interesses interessam

No Brasil os políticos desrespeitam a nação
E a tornam sua nação
Criticam Fidel e Gaddafi por serem ditadores
E se multiplicam no poder ditando

Por quanto tempo as rosas estarão caladas?
Em França os políticos temem o povo
O iluminismo só chegou aqui
Como raios frágeis e diáfanos
Transformando a superfície
Mas mantendo o cerne
De uma alma corrupta e medrosa onde ainda se paga o quinto
Multiplicado por cinco.
E ai daquele que negar pagar
Ai daquele que se negar
A este será negado
O próprio pedido de perdão.

Muitas cabeças ainda irão rolar como a de Tiradentes
Mas todas marcadas com símbolo indelével de plebeus
Que com seus pés descalços
Caminham para onde a liberdade
Será sempre vigiada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Quereres

Queria que você visse
Onde fica o circunflexo do meu E
Que atirasse a corda que atiro
E juntos subíssemos o Aconcágua
E quando a rocha se desprendesse
Fossem rodas para deslizarmos
Com nossas pranchas a surfar
Minúsculos como poeira ao sabor do ar
Gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio
Sinuosos em rodopios e leveza
http://atelierdejesus.blogspot.com/2011/01/do-amar-ao-transbordar.html

Queria que entendesse o som do meu Z
E mesmo assim ouvisse o som de Led,  Zeppelin
Que a corda que partisse
Da viola que tocasse
Fosse ponte p´ra nossos pés
Cruzarmos o oceano
Equilibristas alucinados
Neste circo sem platéia
Onde o tempo fosse nosso palco
E nossos, os aplausos

Queria que a tônica de nosso acento
Fosse a marcação, cicatriz do verso
Nem toda cicatriz é de corte pela dor
Mas o trabalho, a oração e o pensamento
São estradas percorridas
Onde muralhas, precipícios e movediços
Desafiam nossa jornada.

Queria enfim que você quisesse querer
Queridos e quereres
Que encontrasse no meu sorriso
As falas de meu olhar
E nas falas de minha boca
Tudo que nunca conseguirei dizer
Pela gagueira hiato e rota
O mais belo recitar

Queria, como queria
Não precisar mais sonhar
Queria, como seria
Sonhando, desconhecer o que é ser, ter, pertencer
E saber

Chegará o dia

Chegará o dia
Em que juízes e julgados
Prometidos e promitentes
Fieis e traídos
Serão atraídos para a miscigenação
E voltarão a compor a mesma essência
Da origem comum.
http://www.dihitt.com.br/n/religiao/2011/08/11/chegara-o-dia-em-que-quase-todo-o-mundo-vai-se-declarar-sem-religiao-diz-pesquisador-1

Chegará a hora em que diferente entre os iguais
Todos terão olhos e não verão
E o verão será inverno
No inferno das mudanças
Entre tantas andanças que o mundo dá.

Chegará a hora em que a poesia será a língua oficial
E oficiosa o inglês do inglês
E a sétima arte voltará para os palcos
Onde as câmeras não repetirão
O registro do mesmo registro
Repetindo a emoção insípida
Como a folha seca que morta
Rabisca seu sepultamento no ar

Chegará a hora que p´ra viver
Será preciso amar
E o mar engolirá todos os piratas
E os pirados reinarão no céu

Chegará a hora
Que não mais conseguirei compor meus versos
Ai já serei o reverso
Serei o sonho mais perfeito
Que não permite mais o despertar.

Esquecer?!

Há quem creia que possa esquecer
Aquecer o balão e explodir
E dai eclodir novos sentimentos
Alimentar novos pensamentos
Cimentando uma base para o renascimento
Mas o passado pode ser empírico p´ra muitos
E viver dele não é possível.
http://lectandome.blogspot.com/2010/04/esquecer-de-se-esquecer.html

Em verdade, o passado
Pode irascível projetar no presente
Sentimentos que afoga os olhos
Em poças transbordantes
Mostrando que o homem é atemporal
Vivendo um produto de sua história
Seja em seu tempo presente e passado
E até em outros tempos
Sem nunca ter tempo de fazer escolhas
Errando e errático
Adestrado em aplainar sentidos
Sabendo que em uma hora desta, quaisquer
Será chegado o tempo
Do fim de seu tempo
E só assim se apagará a luz
A memória
Sua existência

Aprendemos que temos que fugir da dor e do amor
Da cor e do sabor
Saber flutuar como a bolha de sabão
Vazia, lépida, ligeira.

Quando não há amor é hora da partida.
Quando somente a dor impera
Opera ali uma agonia irônica
Como pena por ter amado
Paga por ter sido escolha
Calvário sem salvação.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Caminhos

Para não pirar tomei um antipirético
E a temperatura não cedeu
Se deu que a loucura não tinha cura
Era a consciência plena e serena
De que não queria nenhuma ideologia
Prá viver
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNit3UQPaYGymm7wFsfQ63088efIZRMWrkYwXPC9UOoJXd7_mA8Nm8IV5ZqNNxHayMiXdmXCvlpMYtTQvaLfZUHR2WlBx4VS9ldooz5SL7adgKSCutNOb4yCdWCLkz3cjnVL4C9Oqvdtg/s1600-h/caminho-de-pincel%5B7%5D.jpg

Tantos ideólogos e nenhum único norte
Morte súbita aos súditos e monarcas
O reino unido se fez por intesses comuns
Enquanto a baioneta e as armas estiverem guardadas
E a bandeira hasteada

Para não pirar comi um purê de batatas
Mas só a fome que foi calada
E a noite ainda estava longe por vir
Até que ouvi no auto e falante um som balançar
... era só o sino da igreja chamando
Clamando aos fiéis a orar.
Olhei para meu fogo
Era fato que não era fátuo
Mas muita lenha ainda
Haveria de queimar
Muita queima ainda
Haveria de arder
Muita dor ainda
Haveria de doer
Até que pudesse apagar aquela pira
Olímpica, onírica e iconoclasta
De uma vida, ida tão distante
Que os dedos do pé estão em massa
Sanguinolenta dos atritos contra os seixos
A lama, poeira e os caminhos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Futuro

Mente quem diz que é passado
Quando ainda se lembra, sente
O calor  do fogo aquecendo a invernada
A dor do beijo quente amputado
Amendoim in natura descascado
http://www.claudiafarnesi.com.br/wp/?m=200901

Mente quem diz, quem pensa
Que a pena foi comutada
Por uma pena mais branda, brinde
O sinal dos tempos ainda não aconteceu
Talvez o tempo se acabe mesmo sem o sinal
Verde ... que te quero verde

Mente, minta se diz
Que a menta que esta bala tem
Refresca...
Que desta fresta onde entra luz
Possa ver o futuro que tão próximo
Não precisa de luz p´ra acontecer

Libélula

Uma libélula plainou e pousou
Levemente na folha balançante
Acariciada pelo vento insistente
De uma tarde de inverno eterno
http://www.fotolog.com.br/pohseeb/61468501

Um meio sorriso brilhou nos olhos
Era hora das desoras
Onde cavalgava os olhos perdendo-se na imensidão
De um largo horizonte desenhado
Em 360 graus

Prá quê pagar passagem prá ir nesta viagem
Onde há sempre lugar e nunca lota
Prá quê procurar lugar se não precisa locar
Ai está o verdadeiro comunismo
E onde nenhum poder conduz nenhuma ideologia
Pois fugir da liberdade tem sido
A meta insana, incessante e constante do homem.

Uma libélula levantou vôo, alçou
Olhei minhas asas
Senti que delas precisão não tenho
P´ra pode voar

Uma libélula alçou vôo
E junto com ela sai a voar
Imaginando que não mais precisarei voltar
Armar e desarmar arcabuzes
Brandir espadas e gritar o Ipiranga
Pois a liberdade está armada
Para libertar todas as prisões

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pertencimento

A noção de pertencimento acontece
Quando acontece de não mais pertencermos
Aos espaços que nos foram tomados
E desconhecemos os portais e as floradas
Dentro de um presente atordoante.
http://camilaluizzi.blogspot.com/2009/08/espiral-do-silencio.html

O pertencimento aos olhos do tempo
É memória, são lembranças
Fantasmas de vida e morte recorrentes
Ajustes de uma realidade vista por uma pessoa só

Qualquer lembrança é passado
Somos produtos do que plantamos
Até que seja cortado a planta
E sermos desvinculados de qualquer texto ou fala
.
Somos como a morte e como a vida
Até o dia morre e renasce
Limpa toda a memória da hora posta
E cria novas oportunidades e ciladas
Para tornarmos nossas horas
Novas construções e novos finais
Entre tantos enredos que a história propõe

sábado, 13 de agosto de 2011

Traçado

Há quinze anos escolho pedras e seixos
Ao longo dos caminhos íngrimes e planos
Aprumando paredes, cômodos
Onde meu silêncio e minha grita se unem
Uníssonos em oração
No templo que construo.

Há quinze anos meu silêncio
Tem sido muito mais compreensão do que desafino
Muito mais desafio do que paz
Muito mais guerra do que tregua

Hoje, depois de tantas memórias
Só me restam os fantasmas e seus gritos
Que interrompem minha dormida
E roubam a atenção do me silêncio
Revivendo uma busca de entendimento
Onde a incompreensão não casa causa e efeito
E onde o sinaleiro sorridente
Acena como se soubesse que aquele caminho
Já estava traçado
E que aluno e mestre
Estão prestes a uma comunhão.