sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aryane Caroline

Hoje recebi uma visita
Conto encantado e sua princesa
Linda! Olhos azuis e bochechas vermelhas
Queimadas pelo frio de junho

Emocionado minha garganta apertou
E há muito custo consegui segurar
As lágrimas que me surgiam lá do fundo
Onde ainda restou um pouco de felicidade
Em um canto qualquer de mim

Ela pediu-me, com um sorriso largo
Onde poderia lavar as mãos
Foi e voltou
Saiu como entrou
Rápida e singela
Livre e envolvente

Aryane
Passarão mil anos
E mesmo assim sei que não conseguirei agradecer
Tudo aquilo que representou
Representa e representará para mim
... e em mim

O nada

Só um tsunami pode varrer
Anestesiar a dor, levar
Lavar a chaga de sangue
Langue lágrima recorrente
Como os soluços que se entrelaçam
Amassam, corrompem
Todas as comportas da vontade
Do inusitado e da temperança
http://artureduardo.blogspot.com/2011/04/documentario-nada-videos.html

Uma montanha pode servir prá profetizar
Ou monitorar domínios
Impedir invasões e evasões,
Ser um lar onde a natureza converse
Através dos pássaros e do sol
Um diálogo que não está nos livros
Nem nos poemas mais bem escritos

Posso escrever sobre tudo
Todas as minúcias e como se equilibra a moeda
Dentro das múltiplas forças
Que controlam o globo
Mas ninguém compreenderá este vazio
Este exagero, este fenômeno,
Que me reduz a um grão
Menor do que o nada.

Tristeza

O homem só é mau
Porque receia que lhe causem mau
E se adianta na vilaneza
Destrói Veneza
E faz apologia do outro como sendo mau
E a sociedade que lhe é injusta
E justas são suas condutas.

O homem só é mau
Porque a fome é má
O frio é incontrolável
E a vida é uma só
Sem espaço prá tantas vidas

Poucos homens são bons
Suportam calados a dor própria e dos outros
Aguentam fardos que seus mirrados corpos quase sucumbem
Alimentam-se da esperança como seus pulmões, do ar
Vivem a poesia para amortecer as vozes
Que gritam pela boca do espírito incontrolado

Tristeza pode ser uma condição temporária
Mas pode também ser permanente.
Seja como for a gente vê refletida
Não no reflexo do olhar
E sim, na forma de sorrir.