quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desliguei o celular

Desliguei o celular
Já não ouço e nem ouso, ousar.
Não vejo mais quem me chama
Deixei o passe de ônibus passar e vou caminhando
A pé... Sempre chegando onde preciso enxergar.


http://bp0.blogger.com/_xOnMm_HrFWQ/R5friEAz0dI/AAAAAAAAAqM/coviPmOvRVY/s1600-h/O+caminhante.jpg


Já não vejo tanto como antes
E apesar de pisar pelos mesmos caminhos
Que ainda traço
Meu trote passa sob o riso do sol e lágrimas da chuva
Em contato com meu suor de sal e respirar resfolegante
Numa deselegância silenciosa
Escondida num mesmismo que ninguém nota
Nem anota e por isso
Nada disso importa

Hoje eu e o vento caminhamos juntos
Ele vindo e eu indo
Quando se choca com minha face
E quando minha face em cunha o abre
Disputando os mesmos caminhos
Nos descaminhos que a gente anda

Vai, manda que talvez obedeça
Se a ordem não for pagã
E a luta não for inglória!

Moderna Idade

A modernidade não moderniza a idade
E nem é uma moderna idade.
O hoje  moderno é amanhã memória
Ou esquecimento, aquecimento prá um novo, velho por vir

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com/2010/12/o-testamento-do-mendigo-urbano-reis.html

Após 41 anos o homem ainda não se mudou prá lua
Pois ainda não destruiu de vez a Terra
Apesar de tentativas titânicas e satânicas
Acumulando riquezas que nem sua décima geração
Consegue gastar.


Colarinho branco quem usa são os clérigos
Mas quem ganha são os anticlericais
Imunes da justiça
Mas ainda mortais
Como o cão e o gato
O leproso e o pagão
O rico e o menos rico
E aquele que não tem nem a sombra
Pois que a mesma se usa dele
Prá esconder-se do sol.

As castas estão longe de serem castos
E os cintos dos que continuam gastos
São abertos pela cultura de massa
Onde o poder controla a informação
E a informação se corrompe em conveniências
Dentro da manobras e das proporções.


É muito mais cômodo não ver quem defeca
Criando reservados e portas fechadas
Mas as fezes ainda continuam indo prás águas do rio
Que cortam a cidade em duas
Margem direita e esquerda
E inunda o ar e o meio de uma fedentina insistente
Que só termina quando a gente se acostuma
A não diferenciar ar puro do impuro
Fedor e ardor
Mel e fel
Amor e sexo
Matar ou morrer.