As vezes basta um olhar
O estilhaçar de xícara na asa de uma abelha
P´ra saber que não vai dar certo
E que o certo é feito
Quando evitamos por saber
Onde o caminho vai dar
A gente cansa de sentir
Naquilo que tanto insistimos
E sabemos que a corda lançada não salvará nada
É difícil ficar olhando
Uma tragédia anunciada
E saber que nem o pão ou as migalhas atiradas
Não serão comidas
Apesar da fome, do frio
E do tapa na cara
Quando quase dormindo
Acreditamos que sonhar
São as asas que nos há de levar
Dizer não, interromper um jorro
É tosca forma de tosar-nos também
Amém
Que as bençãos unge-nos
E nos dobre as forças
P´ra desdobrar os joelhos
Dobrados
Redobrando uma súplica que sobe alto
E não desce mais
Se uma lágrima falasse
Não sei se a sua ouviria
Pois de olhos fechados
Não há como ver a chave
E nem a mão que a faz girar
Queria que você visse onde fica o circunflexo do meu E. Que atirasse a corda que atiro e juntos subíssemos o Aconcágua. Quando a rocha se desprendesse, fossem rodas para deslizarmos com nossas pranchas a surfar, minúsculos como poeira ao sabor do ar, gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio, sinuosos em rodopios e leveza.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Poema Torto
Hoje postei no blog
Um poema torto
Tão torto que só pude lê-lo, torto
Pés na cabeça
Sol nos pés
Era prá dizer tudo que ninguém quis ouvir
Era prá fritar o pão dormido
Já que o ôvo tava pronto
E a gordura ainda quente
Pedia prá não se conter
Espirrando da panela
Besuntando o ar, empestiando-o.
Falava de pena diferenciada pelo mesmo crime.
Prá um, aposentadoria compulsória;
Prá outro, pena de morte.
Falava das grades altas, elétricas onde criei minha prisão
Enquanto que fora delas, o mundo não tinha dono
E se apossava dele toda sorte miliciana
Toda morte pelo mais forte
Todo trote de resgate
Todo estupro e droga
Cabeças de ácidos vagantes
Numa procura de valores, tortos.
Falava da TV onde carne se farta à mesa
Onde sexo é moeda de troca
E o rebolado é a linha de frente
Da escola de samba e do funk
E as massas se movimentam como ondas
Maré que quando vai e já, volta,
Repetindo-se no infinito
A consciência coletiva cria monstros como Hitler
E sonhadores como Marx
Palhaços como Chaplin
E pseudo homens como André e Edir, o Macedo.
Cada um tem sua crença e se engana quem pensa
Que é na diversidade burra que a sociedade é una
Quando o que mais precisa é evoluir
Em benefício de si própria.
Um poema torto
Tão torto que só pude lê-lo, torto
Pés na cabeça
Sol nos pés
Era prá dizer tudo que ninguém quis ouvir
Era prá fritar o pão dormido
Já que o ôvo tava pronto
E a gordura ainda quente
Pedia prá não se conter
Espirrando da panela
Besuntando o ar, empestiando-o.
Falava de pena diferenciada pelo mesmo crime.
Prá um, aposentadoria compulsória;
Prá outro, pena de morte.
Falava das grades altas, elétricas onde criei minha prisão
Enquanto que fora delas, o mundo não tinha dono
E se apossava dele toda sorte miliciana
Toda morte pelo mais forte
Todo trote de resgate
Todo estupro e droga
Cabeças de ácidos vagantes
Numa procura de valores, tortos.
Falava da TV onde carne se farta à mesa
Onde sexo é moeda de troca
E o rebolado é a linha de frente
Da escola de samba e do funk
E as massas se movimentam como ondas
Maré que quando vai e já, volta,
Repetindo-se no infinito
A consciência coletiva cria monstros como Hitler
E sonhadores como Marx
Palhaços como Chaplin
E pseudo homens como André e Edir, o Macedo.
Cada um tem sua crença e se engana quem pensa
Que é na diversidade burra que a sociedade é una
Quando o que mais precisa é evoluir
Em benefício de si própria.
Espia
Preciso apagar a luz
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade
Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso
E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua
Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
![]() |
| http://www.diariodemarilia.com.br/docs/fotos/novo/2009-11-07_1_1257632804.jpg |
Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade
Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso
E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua
Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença
O sol
O sol nasceu para todos
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.
O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.
Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.
O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.
Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Compreensão do eu
Negar a existência de Deus
É o mesmo que reconhecer a possibilidade de Sua existência
Pois o que está fora da consciência e do senso comum
Não nega a si próprio pois é a essência do inexistir.
Mas se a existência de Deus está condicionada a nossa consciência
O que seria de Deus se seus semelhantes não existissem?
Deus existiria?
Enquanto espírito, o homem é prova de evolução terrena.
Enquanto carne, o homem é prova de que a vida
É energia e movimento
Mas os limites da compreensão esbarram sempre
Na compreensão dos dogmas
Na aceitação de que ignoramos como seja o efeito do buraco negro
Mostrando as dimensões do cosmos
Dentro de uma única nota musical
Negar a própria existência do eu
É sufocar os instintos dentro de um copo de uísque
Cansado de carregar um corpo
Verruga que dói na fricção com o couro
Quando o que mais se quer é caminhar mais rápido
Chegar mais rápido
Mesmo que seja em lugar nenhum
O homem criou regras sociais para a sociedade
Criou também as exceções para se beneficiar delas
Enquanto prá uns a reclusão se dá por cortar uma árvore secular
P´ra outros a pena é a aposentadoria compulsória
Enquanto vive e seu cônjuge viver.
Esqueceu-se que enquanto homem é castelo de areia
Que com um sopro do vento ou levada das mares
Acaba por se desfazer em nada
Espalhando-se pela imensidão.
É o mesmo que reconhecer a possibilidade de Sua existência
Pois o que está fora da consciência e do senso comum
Não nega a si próprio pois é a essência do inexistir.
Mas se a existência de Deus está condicionada a nossa consciência
O que seria de Deus se seus semelhantes não existissem?
Deus existiria?
Enquanto espírito, o homem é prova de evolução terrena.
Enquanto carne, o homem é prova de que a vida
É energia e movimento
Mas os limites da compreensão esbarram sempre
Na compreensão dos dogmas
Na aceitação de que ignoramos como seja o efeito do buraco negro
Mostrando as dimensões do cosmos
Dentro de uma única nota musical
Negar a própria existência do eu
É sufocar os instintos dentro de um copo de uísque
Cansado de carregar um corpo
Verruga que dói na fricção com o couro
Quando o que mais se quer é caminhar mais rápido
Chegar mais rápido
Mesmo que seja em lugar nenhum
O homem criou regras sociais para a sociedade
Criou também as exceções para se beneficiar delas
Enquanto prá uns a reclusão se dá por cortar uma árvore secular
P´ra outros a pena é a aposentadoria compulsória
Enquanto vive e seu cônjuge viver.
Esqueceu-se que enquanto homem é castelo de areia
Que com um sopro do vento ou levada das mares
Acaba por se desfazer em nada
Espalhando-se pela imensidão.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Pensamento da ajuda
Há pessoas que quando pensamos estar ajudando
Em verdade estamos viciando-as na arte de serem ajudadas
Pois desconsideram responsabilidades e abraçam inconsequências
No credo de que sempre haverá aquele
Que segurará suas barras, ensandecimentos e destemperos.
http://www.quenerd.com.br/blog/wp-content/uploads/Wallclimbing.gif
Às vezes a melhor maneira de ajudar é não ajudar
Ou saber dominar a dosagem da ajuda
Deixar que os ovos das tartarugas ecludam
E evitar de jogá-las diretamente ao mar
Pois se ao mar o fizer
Estará sendo rompido um ciclo
Condenando com a ajuda, sentenciando-as a morte.
A prática da misericórdia vai desde doar um pedaço de pão
A sacrificar a cria, que sofre.
Entender os dogmas é alcance inatingível
Só a sabedoria é capaz de entender quando o fósforo riscado
Poderá acender novamente a chama
Quando na hora da ceia
Rugir a fome que famélica
É capaz da fagia do próprio homem
P´ra saciar o homem
Ajudar ao próximo nem sempre é ajudar quem está perto
E sim àquele que precisa, verdadeiramente da ajuda
Pois quem precisa não pede
Quem pede, pede mesmo sem saber que pede
E é capaz de jogar ao chão as migalhas
Procurando ao longe
Novo ajudador.
Às vezes com a ajuda do próximo
Edifício que desaba
Leva ao chão outros dois
Av. 13 de maio, Cinelândia, Rio
25 de janeiro ano de 2012
"Ainda não se sabe o que teria causado
O desabamento do edifício"
Em verdade estamos viciando-as na arte de serem ajudadas
Pois desconsideram responsabilidades e abraçam inconsequências
No credo de que sempre haverá aquele
Que segurará suas barras, ensandecimentos e destemperos.
http://www.quenerd.com.br/blog/wp-content/uploads/Wallclimbing.gif
Às vezes a melhor maneira de ajudar é não ajudar
Ou saber dominar a dosagem da ajuda
Deixar que os ovos das tartarugas ecludam
E evitar de jogá-las diretamente ao mar
Pois se ao mar o fizer
Estará sendo rompido um ciclo
Condenando com a ajuda, sentenciando-as a morte.
A prática da misericórdia vai desde doar um pedaço de pão
A sacrificar a cria, que sofre.
Entender os dogmas é alcance inatingível
Só a sabedoria é capaz de entender quando o fósforo riscado
Poderá acender novamente a chama
Quando na hora da ceia
Rugir a fome que famélica
É capaz da fagia do próprio homem
P´ra saciar o homem
Ajudar ao próximo nem sempre é ajudar quem está perto
E sim àquele que precisa, verdadeiramente da ajuda
Pois quem precisa não pede
Quem pede, pede mesmo sem saber que pede
E é capaz de jogar ao chão as migalhas
Procurando ao longe
Novo ajudador.
Às vezes com a ajuda do próximo
Edifício que desaba
Leva ao chão outros dois
Av. 13 de maio, Cinelândia, Rio
25 de janeiro ano de 2012
"Ainda não se sabe o que teria causado
O desabamento do edifício"
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