sábado, 27 de agosto de 2011

Quereres

Queria que você visse
Onde fica o circunflexo do meu E
Que atirasse a corda que atiro
E juntos subíssemos o Aconcágua
E quando a rocha se desprendesse
Fossem rodas para deslizarmos
Com nossas pranchas a surfar
Minúsculos como poeira ao sabor do ar
Gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio
Sinuosos em rodopios e leveza
http://atelierdejesus.blogspot.com/2011/01/do-amar-ao-transbordar.html

Queria que entendesse o som do meu Z
E mesmo assim ouvisse o som de Led,  Zeppelin
Que a corda que partisse
Da viola que tocasse
Fosse ponte p´ra nossos pés
Cruzarmos o oceano
Equilibristas alucinados
Neste circo sem platéia
Onde o tempo fosse nosso palco
E nossos, os aplausos

Queria que a tônica de nosso acento
Fosse a marcação, cicatriz do verso
Nem toda cicatriz é de corte pela dor
Mas o trabalho, a oração e o pensamento
São estradas percorridas
Onde muralhas, precipícios e movediços
Desafiam nossa jornada.

Queria enfim que você quisesse querer
Queridos e quereres
Que encontrasse no meu sorriso
As falas de meu olhar
E nas falas de minha boca
Tudo que nunca conseguirei dizer
Pela gagueira hiato e rota
O mais belo recitar

Queria, como queria
Não precisar mais sonhar
Queria, como seria
Sonhando, desconhecer o que é ser, ter, pertencer
E saber

Chegará o dia

Chegará o dia
Em que juízes e julgados
Prometidos e promitentes
Fieis e traídos
Serão atraídos para a miscigenação
E voltarão a compor a mesma essência
Da origem comum.
http://www.dihitt.com.br/n/religiao/2011/08/11/chegara-o-dia-em-que-quase-todo-o-mundo-vai-se-declarar-sem-religiao-diz-pesquisador-1

Chegará a hora em que diferente entre os iguais
Todos terão olhos e não verão
E o verão será inverno
No inferno das mudanças
Entre tantas andanças que o mundo dá.

Chegará a hora em que a poesia será a língua oficial
E oficiosa o inglês do inglês
E a sétima arte voltará para os palcos
Onde as câmeras não repetirão
O registro do mesmo registro
Repetindo a emoção insípida
Como a folha seca que morta
Rabisca seu sepultamento no ar

Chegará a hora que p´ra viver
Será preciso amar
E o mar engolirá todos os piratas
E os pirados reinarão no céu

Chegará a hora
Que não mais conseguirei compor meus versos
Ai já serei o reverso
Serei o sonho mais perfeito
Que não permite mais o despertar.

Esquecer?!

Há quem creia que possa esquecer
Aquecer o balão e explodir
E dai eclodir novos sentimentos
Alimentar novos pensamentos
Cimentando uma base para o renascimento
Mas o passado pode ser empírico p´ra muitos
E viver dele não é possível.
http://lectandome.blogspot.com/2010/04/esquecer-de-se-esquecer.html

Em verdade, o passado
Pode irascível projetar no presente
Sentimentos que afoga os olhos
Em poças transbordantes
Mostrando que o homem é atemporal
Vivendo um produto de sua história
Seja em seu tempo presente e passado
E até em outros tempos
Sem nunca ter tempo de fazer escolhas
Errando e errático
Adestrado em aplainar sentidos
Sabendo que em uma hora desta, quaisquer
Será chegado o tempo
Do fim de seu tempo
E só assim se apagará a luz
A memória
Sua existência

Aprendemos que temos que fugir da dor e do amor
Da cor e do sabor
Saber flutuar como a bolha de sabão
Vazia, lépida, ligeira.

Quando não há amor é hora da partida.
Quando somente a dor impera
Opera ali uma agonia irônica
Como pena por ter amado
Paga por ter sido escolha
Calvário sem salvação.