sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FUGA

Na época das cruzadas a gente tinha como fugir
Ir p´rá guerra sem escolha de voltar
Sem precisar suportar e nem pensar
No dia a dia, nos conflitos e promessas
Nunca cumpridas
De um conviver, querer, amar e sofrer.
http://www.sedentario.org/colunas/teoria-da-conspiracao/quinta-sexta-e-setima-cruzadas-22356


Na época das cruzadas a vida e a morte
Eram liames tão tênues que acordar vivo
Não era promessa de continuar assim
Quando deitasse o anoitecer, fugaz.

Não havia suicidas pois o que havia era avidez
De derrotar os inimigos da Igreja
Mesmo que prá isso tivesse que se atirar
Direto ao gume da espada pagã
Se atirar do cume de uma torre cristã
Ou se afogar nos fossos das barreiras inimigas


Hoje não há mais como fugir
Em um mundo controlado e articulado
Oligarquia comandada por minoria
Que arranca sempre grandes porções
Nacos de riqueza que nem conseguem gastar
Deixando ao povo o resto
De tudo o que restou


Hoje é preciso deitar e acordar
Sofrer, matar e morrer
Quando a natureza do acontecer
Amanhecer para cada um de nós
Na hora em que for preciso
Na conveniência do tempo e do espaço
E na edificação das coisas
Do tempo de cada um.





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DOR

Por quanto tempo ingerir a dose de veneno, mata
Ou se torna remédio?
Por quanto tempo a dor genuina dói, dilacera a vontade
Até congelar a lágrima que se torna cristal e indolente?
http://ppramada.blogspot.com/2011/04/dor-da-perda.html


O tempo é um prisma onde quem o quer longo
Percebe que já passou
E quem não mais o quer, espúria
Percebe o quão extenso se tornou.

Quem tem dor não quer espera
Desespera
E sorrir não ameniza
Eterniza a grita
Que ecoa no infinito.


Quem tem dor é um contendor
Que não tem tempo de curar as feridas
E se liquefaz de sangue na luta
Onde não há vencedor e nem vencido.


Quem tem dor não cede á dor
Apesar de já estar derrotado
Derrocado pela solidão, desesperança e... dor





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VAZANTE

Alguns dizem que é tempo de estio
Outros preparam seus barcos
E rotas arcadas segmentadas
Do tempo sensível e vazante
Projetam no tempo o sem fim
Methadone-60mg-the-equivalent-analgesic-dose-for-heroin-treatment.2.jpg


Chove lá fora. Afora e aflora
Um mar de água que ninguém prometeu
Todo mundo procura seu fim
Nenhum meio ou início se bastam.


Viver é exercício diário
Com suas doze doses de suor
No meu caso de doze doses a mais de açúcar
Indigestado


Viver é mais que um sol, maior
E menos que um acorde do sol, astro
Irradiando e controlando explosões
Prá calar o que explode em mim

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bicho Homem

O bicho homem é um bicho
De pé 
Pior que chulé
Infiel, oportunista que imagina
Que ainda é esperma
Disputando o óvulo para fecundar
E quem em sua frente se dispuser
É obstáculo a transpor
Poeira a ser dizimada.
http://imagem05.vilamulher.terra.com.br/interacao/4751029/a-frustracao-a-raiva-e-o-aprendizado-no-luto-81211-1.jpg


O homem é criação que se tornou criatura
Predador que não reconhece sua espécie
Bebendo o sangue de seu semelhante
Prá se alimentar...


Dor e doar começam com a mesma letra
E soam com um mesmo tom
Tudo o que há de bom cabem na palma
Espalmada de uma mão.
Só o tempo mostra o que os olhos da gente
Se nega a enxergar.

Há momentos na vida que precisamos matar
Um pedaço de nós mesmos
Para que o resto que sobre, sobreviva.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Luz

Alguma coisa me diz
Que escondido de mim está
Estado latente de um querer transformante
Onde a mentira é barrada
E o mentiroso expulsado
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9mmk1Cwlf0G8PfTRg64z7coQdPs9NKd2kIahpqfOIIPE58VDLqwtSFLTIJfJ8MaYO9h04TiXeZJKJDH7dzKtf1ox8i96vOXFRfREwf3X1yTb-ZQfJSH-D3WUmkqtefe8cM5S72vOunki5/s400/ABritoLuzEscaldante.jpg


Quando se perde uma rota
Perdido se está
Difícil voltar ao começo
Pois depois de iniciado não há mais começo
E se voltar só achará indícios
De onde aconteceu a partida
Que agora está partida
Transformada em vagas lembranças
Cacos quebrados de um oratório
Onde nem mais se pode encontrar um santo
P´ra pedir ajuda ou xingar
Culpar com impropérios
Absolvendo nossos pecados
Pesados e compreendidos
Em nossa própria incompreensão
Do que seja ou deixe de ser
O ser


Quando se está perdido
É preciso se achar dentro da perdição
Pedir permissão p´ra loucura e ao louco
Rebuscando e transformando tudo o que é correto
Questionando a própria pergunta
Procurando nas sombras o que seja réstia
... de luz
Mesmo que não reluz
E que nem seja em Queluz
Nem precisa ser ouro
Só luz

Tudo o que vivi

Tudo o que vivi 
De alguma forma ainda vive
Tornando-se o que sou e como sou e ando.
http://1.bp.blogspot.com/_-sY_3qThsUw/TO64Cw4lqCI/AAAAAAAAByI/pglq-TncTpo/s1600/vida.jpg


À toa mando mas a natureza não ouve
Houve por bem seguir seu plano
Enquanto minha razão aplaina
Buscando um equilíbrio tosco.


Todas as respostas estão ai
Mesmo que minha cegueira seja tanta
Que não distinga cor e nem dor
Oração e esperança.


Quando creio compreender a loucura
Pretenso achar que minha sanidade
É mais pura estrutura
Que não se abala
E a bala
É só açúcar e edulcorante


A ignorância e a alienação pode ser dádiva
Anestesiando tanta vontade incontida
Barrada pela invasão dos muros
Quando a gente percebe que as asas prometidas
Ainda não cresceram

O homem

Desde que o homem é morto,
Afora um milagre como o de Lázaro,
De nada adianta adiantar procedimentos
Aplicar ciência, rezar para que as montanhas mudem
E mudo prometer que nunca mais falará
Pois que o homem é morto
E do pó ao pó voltará.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd1kSvGTVhm6AP7HzE3AW-EX4lISJhByogrGvJvFJ30H0TLR3rLuHFsCABqdC-8CIP_1GBluiB6gYbcwF-Y7-rjVpn2iSKaUokCLo9YfLRn0RsV5Gy0YqU5JUab5XBa4_IXdAIPleAlzI/s1600/O+homem.jpg


Desde que o homem é vivo
E como vivo tem o poder da morte
Tanto a morte pelo extermínio
Quanto a morte pelo esquecimento
E em ambas situações
Repete o poder de Deus
Sobre o destino das coisas
E o modo de pertencer


Só como vivo o homem compreende
A incompreensão e também incompreende.
Só como morto o homem descansa de ser vivo
E lutar p´ra continuar a viver.


Se como vivo o homem repete Deus
Como morto o homem esquece Deus
E de como fazer p´ra repetir-se.


O homem, quando deixa de amar,
Castiga com o desamor e assume o medo
Escudo p´ra que o sofrimento não aconteça.
Se não fosse o sofrimento o homem não saberia
O que é prazer e felicidade.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Corpo

Aquele que me olha, não me vê,
Pois o que vê é somente um corpo
Marcado por datações e envelhecimento
Altura, gordura e carne
E eu sou mais que um corpo
Pois o corpo morre
O corpo dorme, deseja, sente
É o portal que entorpece minha realidade
De ser energia e pertencer aos elementos
http://andreagraagra.blogspot.com/2010/09/o-culto-ao-corpo-uma-forma-de-religiao.html

Posso não ser perene
Mas  tenho dúvida, muitas dúvidas
Quando quem vejo no espelho
Seja meu reflexo
Pois estar em um corpo
Não é ser um corpo.
Estou mais para um escopo
Do que não conheço
Mas que intuo e entoo

O corpo é chão, cópula, predação
Se é meu este engano
De ser somente chão, cópula, predação
Então sou tão pouco do pouco da criação
Pois como criatura o próprio homem cria
Mas não sopra vida e não produz magia

Quem me olha raramente vê
Além dos cacos que carrego
Do cansaço que me afunda
E do escarro que cuspo ao chão.

Quem me vê aos prantos
Jamais saberá porque canto.
Apesar das maravilhas do chão e do que nele nasce
Lavoisier dizia que é tudo transformação
Pois em Minas vejo os montes
E mesmo não vendo as vilas
Sei que fazendas existem
Coexistem com o nascer e morrer do sol e da lua
Escorrem pelas encostas junto com os pingos da chuva
Se derretem com o cheiro do café matinal
Enquanto o tempo fica gritando
Que não há mais tempo
Nem destempo
E que atemporais são somente aqueles
Que a existência não conseguiu apagar

Quem me vê aos prantos
Sabe que também já pranteou
Parafraseou outros tantos poemas
Que a vida tão bem ensinou

Onde estão as chaves?
Mesmo sem saber o que há por trás da porta
Sei que este é o caminho
Mesmo que me leve p´ra lugar nenhum




terça-feira, 25 de outubro de 2011

Êxodo

Chega um dia que a esperança
Cansa de esperar
E é preciso operar á guisa do movimento
Seguir para o norte
Antes que que a morte nos torne órfãos
De sonhar e acreditar
http://www.cuidardeidosos.com.br/caminhar-pode-ajudar-a-prevenir-demencia/

É preciso precisar a rota
Para que possamos nos encontrar
E nos perder
Entender que o poder nem sempre é posse
Que apesar de ter as armas
E os projetis traçantes
O poder está em não disparar
Pois bala atirada
Não volta atrás.

O poder está também decidir atirar
Procurar o alvo
Quando a ameaça seja clara
À luz de um juízo comum
E nunca de um prejuízo
Que calque marcas profundas
No conduzimento
Na existência
Ou inexistência
De toda e qualquer aurora
Mesmo a boreal

Chega um dia que a esperança
Mesmo sendo quem não a alcance
É a própria faca e o entalho
Que traça o nome na lápide
Ou cava a cova 
Oferecendo o repouso.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tirania

20 de Outubro de 2011
Mais um dita DOR é assassinado.
Kadhafi que tanto chamou os rebeldes de ratos
Foi encontrado se escondendo dentro de um tubo de esgoto
E a turba de "ratos" em polvorosa
Estampilhando secos e mortais disparos
Consolida mais um momento da história da Líbia
E da história moderna.

A tirania da minoria por mais de 40 anos
Massacrou a maioria.
Assim também foi na Àfrica do Sul pelos ingleses
Suprimindo por tantos anos Mandela e seu povo.
Assim também foi por tantos anos
O terceiro mundo colônia dos interesses e desmandos
Do poder americano.

O mundo está mudando e já mudado
Começa a mostrar sua voz contra a tecnocracia,
O neoliberalismo e a subserviência.

Os modelos estão fracassando
E talvez a resposta ainda seja
Que o homem não pode ser o lobo do homem
Não pode ganhar sobre a produção de seu semelhante
E que o que um produz
É tão importante para o social quanto o que o outro produz.

Todos tem os direitos  iguais
E o poder econômico de um não pode torna-lo maior
Do que sua própria estatura.
A raça de alguns
Não pode escravizar a raça de outros
E sem estes princípios o mundo sempre será arena de competição
Onde a carne de um
Servirá p´ra alimentar a fome do outro.





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Corrupção

07 de Setembro de 2011
Brasilienses vão às ruas e gritam: Abaixo a corrupção!
12 de Outubro de 2011
25 a 30 mil Brasilienses repetem o grito
E a grita é ouvida em toda a nação.
http://exame.abril.com.br/economia/politica/noticias/marcha-quer-abaixo-assinado-para-inibir-corrupcao

Será que os políticos ouvem 
e se ouvem, escutam?

Ser político é ser o sémen que procura o óvulo
P´ra gerar o monstro
Ou o salvador.
Mas pelo que temos visto
O material genético nada promete
A não ser prometer.

Acho que o iluminismo continua no berço
E aqui só vemos quem iluminado
Não soube o que fazer da luz
Apesar de poucos como Juscelino,
Jango, Tancredo
E o topete de Itamar
Terem sabido como desliza a cobra
E onde as águas encontram o mar

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Primavera

O terceiro dia de Outubro veio apagando
Os rastros e lavando as cinzas das queimadas
Que enudeciam os morros e os vales
Com uma chuva manhosa e renitente
Na terra em que nasci.
http://www.sopapeldeparede.com.br/top-semanal-10/primavera-_1125_1600x1200/

O cheiro das queimadas se apagou
A vegetação seca promete verdejar
Só não há mais como viver os animais que foram mortos
Pelo fogo, elemento natural.

No terceiro dia de Outubro
Também aniversariam Aryane Caroline, Allan kardec
E o novo tempo
Que em seu próprio calendário aceita marcas
Onde o inicio e reinício se encontram
Prometendo que caminhar é preciso
E que só assim poderá chegar
Seja aonde for ou como for
Seja tão longe que a curvatura do globo
Faça da partida o ponto de chegada
E na circunferência esférica
Exista tantos e outros caminhos
Que somados precisem de outras vidas para percorrer.

O terceiro dia de Outubro 
Aqui aconteceu sem sol e só chuva
Os sóis eram eles: Aryane e Allan
Tornando o brilho do sorriso e encanto do olhar
Horizonte infinito e sem fim.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Floresta

Sob a árvore que fronda e viça
Nada nasce ou cresce que não sejam folhas
Sepulcras em decomposição.
http://www.sopapeldeparede.com.br/florestas/floresta-3d/

Sob a árvore que fronda e viça
Só há repouso e fresca
Torpor e proteção

A árvore é quem delimita seu espaço
Apesar das raízes não terem fronteira
Fincada, calcada no chão.

O homem quer ser árvore
Mas ainda não aprendeu controlar seu alcance
Não aprendeu o que é sacia
E nem o que seja corromper
Ou ser corrompido.

O homem precisa aprender com as árvores
P´ra se aproximar do sentido
Compreender o que seja
Uma grande, floresta imensa!

4º Poder

A capacidade de gestão
Capacita a digestão 
De quem sabe, a doação,
De mais uma ação
Onde a caneta esferográfica entenda
Que está sendo substituída pelo teclado 
E os meios que atingirem um maior alcance
Para canalizar o quarto poder
Invadindo as mídias
Ocupando territórios
Onde antes só dava Kadafi , Saddam
E até o esquecido Idi a mim.
http://www.torcedorcoral.com/blog/textos-de-amigos-e-convidados/a-cartilha-o-quarto-poder-e-o-profissionalismo/

Foi um representante do quarto poder
Que acreditou que Bush fosse uma barata
Atirando-lhe um sapato
E se esquecendo que as baratas resistem
Inclusive ao poder da bomba atômica

Foi um representante do quarto poder, calado:
Tim Lopes, pelo tráfico e os interesses
Mas não foi calado o poder
De poder ter e falar
Acreditar que não há fortes e fracos
Mas adaptados sempre 
Ás frentes que regulam o existir humano
Tentando resgatá-lo do caos
De sua própria existência.

O capital

João Amazonas faleceu em 27 de maio de 2002
Acreditava que o capitalismo selvagem era autofágico
E que chegaria o dia em que a exploração do homem pelo homem
Seria sua execração social fatal
E ai estaria preparado o campo
Para o nascimento e a permanência do socialismo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Amazonas

Grécia ameaça moratória
As contas da Itália e os impostos não são exemplo
Para nenhum país Europeu
Portugal que dantes tantos quintos nos levou
É mais um dos países do Euro onde o capitalismo se envagina

Mas os maior dos exemplos gêmeos
É dos EUA que pula feito pipoca
E já sabe o que seja desemprego, fome e desabrigo.

Antes o mundo caminhava a passos centenários
Hoje os passos são medidos em décadas
E em décadas muda o mundo.
Só espero que a capacidade de adaptação do homem
Seja tão rápida quanto as mudanças
E que após tantos milênios
Saiba o que é ser... social e humano.


Desenganos

Ontem pensei que meus desenganos
Não me enganassem
Mas hoje sei que eles não vinham de ti e sim de mim
Pois de ti esperei tanto
Sem que me pedisses p´rá esperar
De ti acreditei tanto
Sem que me pedisses p´rá acreditar
A ti me doei tanto
Acreditando que pudesse e não pude
http://jmsdramaqueen.blogspot.com/2011/07/esse-tal-de-amanha.html

O homem nasce romântico e o tempo
Faz nascer um outro homem.
A gente carrega uma culpa e paga a culpa
Nega as origens e sorri diante da dor
Como se a dor fosse o destino
O hino de seus aportes.

O tempo faz com que a gente não veja o campo de flores
Mas os espinhos
Faz com que não ouçamos o rock
E sim o barulho
Faz com que não adocemos o suco
E apreciemos mais a propaganda do que o espetáculo.

O tempo prenuncia que é nossa passagem
E que não ficaremos
Mesmo vivendo
Não somos mais os mesmos
De quando livrávamos o copo do álcool
Trocávamos as noites pelos dias
E que acreditávamos que o amanhã nunca chegaria
... mas o amanhã está ai!

domingo, 18 de setembro de 2011

Cinco estágios de Kubler-Ross

Negação.
Tanta gente p´ra viver, vive
Acreditando que o sempre viverá
Imortal como um deus do Olimpo
vencendo lutas
Colhendo troféus
Tantos onde não mais tenha, 
Ou possa guardar.
http://www.forumespirita.net/fe/off-topic/cantinho-da-amizade/11160/

E com o tempo vem a raiva, 
Pois ninguém é invencível 
E a imortalidade não existe
É hora de parar e pensar
Reposicionar o eixo
E encontrar o equilíbrio.
O homem é homem
Só enquanto vive

É preciso que a negociação
Seja o emblema para tua cura
Acreditares que és falível 
E que pode ser efêmero a casa, 
O carro, a família, o poder, o amor.
Precisarás dar e acreditar que dando
Receberás.

Se caíres em  depressão
Seu processo de criação estará seleto.
Estarás diante de ti e de nenhum outro
Diante da decisão e indecisão
Como nunca estivestes antes
Diante de respostas soltas no ar
Onde seu pincel ou cinzel 
Esculpirão tua obra mais prima
Tua escuridão mais irmã
Ou teu fim mas cruento.


Ai estarás concluindo um ciclo
Entrando na aceitação
E onde poucos conseguem chegar
Pois ai está a plenitude
O equilíbrio e a visão de que a cadeira tem 4 pernas
Que os lírios do campo
"Não trabalham e nem fiam
Mas que Salomão em toda a sua magnificência
Nunca se vestiu como qualquer um deles!"

sábado, 17 de setembro de 2011

Meu Silêncio

O silêncio dos meus versos escondem
A calada do que movimento e onde movo.
Como um ovo, recolho o olho p´ra não ver
Nem ouvir o enredo que foi criado
Mas que queria envolver-me
Aprisionar uma liberdade de ser volátil
Agrilhoar energias que são do espaço e expansão
http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/2006/05/ar_puro

Ah meu silêncio!
Tão profundo que nem salgando
Dá tempero
Tão profundo que nem a corda 
Dá tamanho
Tão silencioso que nem ouvindo
Há quem ouça

Ah meu silêncio... seu silêncio!
Quanto mais se aquieta, se acomoda.
Há silêncio em um corpo inerte
Mesmo que na cara de quem sofra
Escorra fio em lágrimas
Escorra dor ou ardor
Rubor ou ódio.

Não há ruídos que incomodem
Nem grita que assuste
Não há dinheiro que apresse o preço
Que compre o que não há valor
E nem meu apreço hei de colocar
Retocar um verso que é sempre frente
Nua realidade sem transparência e sem chance
De ser uma nova flor.

Meu silêncio... pode ser uma lágrima
Como pode ser um deserto
Ermo e fantasmagórico.

Meu silêncio pode ser silente
Transporte do que me cala
Grilhão do que me abandona

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jaqueline Roriz

"Jaqueline Roriz escapa de cassação na Câmara"
Dispara o Estadão perplexo em matéria do dia 31/08/2011.
Mas perplexo não estou eu
pois na história deste país
Quem não escapa da fome, das grades e das prisões
Sempre são descamisados, pretos, pés descalços 
E a minoria étnica em parcas condições sociais
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/mesmo-sem-explicar-v%C3%ADdeo-jaqueline-roriz-escapa-de-cassa%C3%A7%C3%A3o-na-c%C3%A2mara
Os números do decoro deram coro
Foram 265 votos a favor de Jaqueline
166 pela perda do mandado
E 20 seguiram o minelar exemplo de Pilatos.
Eram necessários 257 votos para que o povo pudesse ver
A cabeça de Jaqueline em uma bandeja.

A pena p´ra quem representa a moral e bons costumes
Tinha que ser exemplar
Pois amparados pela própria lei que criam
Esta mesma lei desampara
Quando os interesses interessam

No Brasil os políticos desrespeitam a nação
E a tornam sua nação
Criticam Fidel e Gaddafi por serem ditadores
E se multiplicam no poder ditando

Por quanto tempo as rosas estarão caladas?
Em França os políticos temem o povo
O iluminismo só chegou aqui
Como raios frágeis e diáfanos
Transformando a superfície
Mas mantendo o cerne
De uma alma corrupta e medrosa onde ainda se paga o quinto
Multiplicado por cinco.
E ai daquele que negar pagar
Ai daquele que se negar
A este será negado
O próprio pedido de perdão.

Muitas cabeças ainda irão rolar como a de Tiradentes
Mas todas marcadas com símbolo indelével de plebeus
Que com seus pés descalços
Caminham para onde a liberdade
Será sempre vigiada.

sábado, 27 de agosto de 2011

Quereres

Queria que você visse
Onde fica o circunflexo do meu E
Que atirasse a corda que atiro
E juntos subíssemos o Aconcágua
E quando a rocha se desprendesse
Fossem rodas para deslizarmos
Com nossas pranchas a surfar
Minúsculos como poeira ao sabor do ar
Gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio
Sinuosos em rodopios e leveza
http://atelierdejesus.blogspot.com/2011/01/do-amar-ao-transbordar.html

Queria que entendesse o som do meu Z
E mesmo assim ouvisse o som de Led,  Zeppelin
Que a corda que partisse
Da viola que tocasse
Fosse ponte p´ra nossos pés
Cruzarmos o oceano
Equilibristas alucinados
Neste circo sem platéia
Onde o tempo fosse nosso palco
E nossos, os aplausos

Queria que a tônica de nosso acento
Fosse a marcação, cicatriz do verso
Nem toda cicatriz é de corte pela dor
Mas o trabalho, a oração e o pensamento
São estradas percorridas
Onde muralhas, precipícios e movediços
Desafiam nossa jornada.

Queria enfim que você quisesse querer
Queridos e quereres
Que encontrasse no meu sorriso
As falas de meu olhar
E nas falas de minha boca
Tudo que nunca conseguirei dizer
Pela gagueira hiato e rota
O mais belo recitar

Queria, como queria
Não precisar mais sonhar
Queria, como seria
Sonhando, desconhecer o que é ser, ter, pertencer
E saber

Chegará o dia

Chegará o dia
Em que juízes e julgados
Prometidos e promitentes
Fieis e traídos
Serão atraídos para a miscigenação
E voltarão a compor a mesma essência
Da origem comum.
http://www.dihitt.com.br/n/religiao/2011/08/11/chegara-o-dia-em-que-quase-todo-o-mundo-vai-se-declarar-sem-religiao-diz-pesquisador-1

Chegará a hora em que diferente entre os iguais
Todos terão olhos e não verão
E o verão será inverno
No inferno das mudanças
Entre tantas andanças que o mundo dá.

Chegará a hora em que a poesia será a língua oficial
E oficiosa o inglês do inglês
E a sétima arte voltará para os palcos
Onde as câmeras não repetirão
O registro do mesmo registro
Repetindo a emoção insípida
Como a folha seca que morta
Rabisca seu sepultamento no ar

Chegará a hora que p´ra viver
Será preciso amar
E o mar engolirá todos os piratas
E os pirados reinarão no céu

Chegará a hora
Que não mais conseguirei compor meus versos
Ai já serei o reverso
Serei o sonho mais perfeito
Que não permite mais o despertar.

Esquecer?!

Há quem creia que possa esquecer
Aquecer o balão e explodir
E dai eclodir novos sentimentos
Alimentar novos pensamentos
Cimentando uma base para o renascimento
Mas o passado pode ser empírico p´ra muitos
E viver dele não é possível.
http://lectandome.blogspot.com/2010/04/esquecer-de-se-esquecer.html

Em verdade, o passado
Pode irascível projetar no presente
Sentimentos que afoga os olhos
Em poças transbordantes
Mostrando que o homem é atemporal
Vivendo um produto de sua história
Seja em seu tempo presente e passado
E até em outros tempos
Sem nunca ter tempo de fazer escolhas
Errando e errático
Adestrado em aplainar sentidos
Sabendo que em uma hora desta, quaisquer
Será chegado o tempo
Do fim de seu tempo
E só assim se apagará a luz
A memória
Sua existência

Aprendemos que temos que fugir da dor e do amor
Da cor e do sabor
Saber flutuar como a bolha de sabão
Vazia, lépida, ligeira.

Quando não há amor é hora da partida.
Quando somente a dor impera
Opera ali uma agonia irônica
Como pena por ter amado
Paga por ter sido escolha
Calvário sem salvação.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Caminhos

Para não pirar tomei um antipirético
E a temperatura não cedeu
Se deu que a loucura não tinha cura
Era a consciência plena e serena
De que não queria nenhuma ideologia
Prá viver
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNit3UQPaYGymm7wFsfQ63088efIZRMWrkYwXPC9UOoJXd7_mA8Nm8IV5ZqNNxHayMiXdmXCvlpMYtTQvaLfZUHR2WlBx4VS9ldooz5SL7adgKSCutNOb4yCdWCLkz3cjnVL4C9Oqvdtg/s1600-h/caminho-de-pincel%5B7%5D.jpg

Tantos ideólogos e nenhum único norte
Morte súbita aos súditos e monarcas
O reino unido se fez por intesses comuns
Enquanto a baioneta e as armas estiverem guardadas
E a bandeira hasteada

Para não pirar comi um purê de batatas
Mas só a fome que foi calada
E a noite ainda estava longe por vir
Até que ouvi no auto e falante um som balançar
... era só o sino da igreja chamando
Clamando aos fiéis a orar.
Olhei para meu fogo
Era fato que não era fátuo
Mas muita lenha ainda
Haveria de queimar
Muita queima ainda
Haveria de arder
Muita dor ainda
Haveria de doer
Até que pudesse apagar aquela pira
Olímpica, onírica e iconoclasta
De uma vida, ida tão distante
Que os dedos do pé estão em massa
Sanguinolenta dos atritos contra os seixos
A lama, poeira e os caminhos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Futuro

Mente quem diz que é passado
Quando ainda se lembra, sente
O calor  do fogo aquecendo a invernada
A dor do beijo quente amputado
Amendoim in natura descascado
http://www.claudiafarnesi.com.br/wp/?m=200901

Mente quem diz, quem pensa
Que a pena foi comutada
Por uma pena mais branda, brinde
O sinal dos tempos ainda não aconteceu
Talvez o tempo se acabe mesmo sem o sinal
Verde ... que te quero verde

Mente, minta se diz
Que a menta que esta bala tem
Refresca...
Que desta fresta onde entra luz
Possa ver o futuro que tão próximo
Não precisa de luz p´ra acontecer