terça-feira, 14 de junho de 2011

Ouropeu

Poderia ter lhe dado tudo que não tive
Escrever-lhe tudo que pudesse escrever
Nas dunas coloridas pelos raios de sol
E mesmo que se apagassem os escritos
Pela onda do mar ou pelo zéfiro rastejante
Ainda estaria calados em mim
A matriz criadora daquele momento
Pedra fundamental do meu castelo
Quem nem o rufar dos trovões e o pipocar dos raios
Conseguiriam ameaçar
http://browse.deviantart.com/?q=anger&order=9&offset=408#/dkqa7k

Poderia, ah como poderia
Recriar o movimento, reinventar a circunstância
E acabar com a finitude de um momento
E parar no tempo como se tivesse conseguido
Quebrar o paradigma do passado, presente e futuro

Poderia, ah como poderia!
Acreditar que morrer fosse viver
E que viver tivesse outra proposta
Que não ter que lutar pelo dia a dia
Pelo pedaço de pão e pela mortadela
Acender uma vela crente no milagre
Que nunca acontece...

Cai a noite, vem o sol combatendo o frio.
Assim é natureza e assim é o natural.
Sobrenatural é a noite que me cobre
E que nem o sol consegue espancar.

Indócil

Qual o preço que paga a pressa?
Qual a peça que se compra inteira?
Qual a veste que cobre o sentimento
Nu de desinteresse e débil
Pois faz da entrega sua sina
E do sino o seu embalo?
http://browse.deviantart.com/?qh=&section=&q=anger#/dp5frr

Qual entre os quais atira
A primeira pedra!
Qual entre os quais não foi surpreendido
Por uma lágrima vã
Largada  por um amargor?

Todo desafio desafia a dor
Em parar, estancar um sangramento
Chagas abertas e incontidas...

Há um momento na vida
Que a dor aberta por tantas chagas
Transforma-se em torpor
E nos tornamos um igual aos iguais feridos
Animal indócil!