Poderia ter lhe dado tudo que não tive
Escrever-lhe tudo que pudesse escrever
Nas dunas coloridas pelos raios de sol
E mesmo que se apagassem os escritos
Pela onda do mar ou pelo zéfiro rastejante
Ainda estaria calados em mim
A matriz criadora daquele momento
Pedra fundamental do meu castelo
Quem nem o rufar dos trovões e o pipocar dos raios
Conseguiriam ameaçar
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Poderia, ah como poderia
Recriar o movimento, reinventar a circunstância
E acabar com a finitude de um momento
E parar no tempo como se tivesse conseguido
Quebrar o paradigma do passado, presente e futuro
Poderia, ah como poderia!
Acreditar que morrer fosse viver
E que viver tivesse outra proposta
Que não ter que lutar pelo dia a dia
Pelo pedaço de pão e pela mortadela
Acender uma vela crente no milagre
Que nunca acontece...
Cai a noite, vem o sol combatendo o frio.
Assim é natureza e assim é o natural.
Sobrenatural é a noite que me cobre
E que nem o sol consegue espancar.

