terça-feira, 28 de agosto de 2012

Calado

Ando tão calado
Que me pergunto se sou, quem me calo,
Ou se me calam.

Ando tão silencioso que me pergunto
Se sou eu quem imita o silêncio
Ou se é o silêncio que se cala em mim
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Ando tão devagar
Que não sei se estou a divagar
Ou suspenso prá germinar

Ando tão irritadiço e tão explosivo
Que não sei se me alimento de nitro
Ou se escarro fogo e abundância

Ando tão genocida
Que acredito que uma nova era precisa surgir
E que o resgate humano ainda é tempo
Antes do tempo surgir.

Ando assim, tão ensimesmado
Que do mesmo lado em que estou
Nada vejo que não seja meu respiro
Entre tantas outras respirações
De inspirações perdidas
Em um turbilhão de vozes ininteligíveis
Babel

Ciclo da Lagarta

Não adianta tua memória recente
Nem o que verdadeiramente sente e se ressentes
Pois que o sentimento do outro, a ele próprio
Sempre será maior a si do que a ti

Não adianta adiar para esperar as respostas
Pois nunca sabemos quando ela virá e se é que virá
Virar do avesso prá encontrar a moeda
E não ter nada o que comprar

http://asvozesdosoutros.blogspot.com.br/2011/12/destruir-e-o-lema.html

Todos estes anos e sempre será fácil renunciar...
Odiar é tão fácil pois só odiando se adia,
A hora "H " do dia "D"
Enquanto se dilui o sentimento sedimento
Que precisa ser explodido, explicado
Mesmo sabendo que não haverá convencimento

Um castelo, uma fortaleza que se constrói em 4 séculos

Pode cair em menos de quatro segundos
Sem ter jamais chance de soerguimento

Construir é muito mais penoso de que demolir
Pois não há nenhum compromisso em demolir
Que não seja derrubar, jogar ao chão.
E para construir é preciso preocupar-se com o compromisso
De tirar do chão e elevar aos céus
Como uma oferenda
Como um troféu
Mostrando ao Criador
Que Ele não cria só dor, mas também ardor, fé, esperança.

Destruir é muito mais fácil
Difícil é retirar todos os despojos.

Olhar prá dentro de nós mesmos
É ver o que está construído e o que está sendo demolido
Até que não reste mais nada
Que valha a pena mais ser observado ou preservado
Pois viver não admite culto nem cuidado
Já que da mesma forma que se cria
A vida se desfaz.

Ninguém pode nos imputar nenhuma penitência

A não ser nós próprios
Pois é preciso, primeiro, perceber as estações
E depois entender por que as flores desabrocham
E como funciona o ciclo
Da evolução da lagarta

O movimento dos ventos e das tempestades
E por que troam tão alto os trovões
Quando riscam os ceus os raios descontrolados.