sexta-feira, 3 de junho de 2011

Gomes, Osmir Camilo

Conheci Osmir ainda no século passado
Sedento como um "camilo" no meio do deserto
Compunha seus versos diferente dos de Carlos, o outro Gomes,
Pois Carlos fazia música
E Osmir, poesia.
http://www.fatoreal.com.br/index.php?l=dm_sis_noticia/act_ver&cod=10936&cod_tipo=4

A poesia de Osmir
Nasceu sempre como propostas de experimentos visuais
Movimentos e cores em aleatório
Bala de fuzil em uso
Na tomada da nova Bastilha
Como se fosse necessidade, carência de ser visto
Pela insipidez dos não poetas
Refletindo uma óbvia Verdade
Bem narrado por Platão
No Mito da Caverna

Até hoje não sei se Osmir é negro ou branco
Pois como Michael
Continua unânime como Mozart ou Zumbi.
Só sei que fios brancos já lhes rompem abusados
O couro cabeludo e o queixo
E ele, sem se queixar, exibe no olhar
Morfeu e Arlequim
Prometeu e as correntes

Ninguém que tenha conhecido conseguiu andar
Atrás ou a seu lado
Pois poeta é assim mesmo
Acaba de chegar e já vai saindo.

Perder ou Ganhar!

Não me importa perder ou ganhar
Pois p'rá perder é preciso ter
P´ra ganhar é preciso que não seja suficiente
O pedaço de pão que se coma
O leite que se derrame
Ou o vazio que se tenha no peito

http://mayuri111.deviantart.com/
Me importa é a diminuição
Do volume da água jorrando pelo cano
Enquanto a sede endurece a garganta
Do caminhante distanciado do rio
E esquecido pelas chuvas de Março...
O cessamento da gargalhada diante do palhaço
Que cai do trapézio
Substituindo o trapezista.

Me importa é a vontade de querer ler
E o olho cego vazando a imensidão
De escuridão, lendo movimentos,
Que os sentidos, tão sem sentido, enxergam

Me importa é cantar esta canção
E ninguém por perto prá ouvir
Só o uivo dos lobos que cortam meus agudos
Diante do farol da lua que brilha calada
Dentro de um silêncio
E um fim.

A Pena e o Ódio

Adotei duas ferramentas que na maior parte do tempo
Afio
O fio está no verbo que ensaio
E no ódio que me corrói o peito
Com todo jeito e temperança
Que me vai retalhando inteiro
Gerando agruras e um silêncio torto
Apagando os sulcos por onde desciam lágrimas
Secando as veias e deixando o sangue negro
Correr ausente de oxigênio e vida

http://meucantobom.blogspot.com/2010/06/foice-e-martelo.html

Quão feio será que me torno
Se me tomo como um ogre
Em atitudes contra mim mesmo?
Ainda bem que algo de bom em mim restou
Pois não vitimo outrem
Pois sou a própria vítima
Vendo agigantar a sombra
Emprestando a foice pois que o martelo
Lennin levou.




Sorriso de Deus

Se fosse fazer uma apologia
Símbolo seria usar a história de André
Que mesmo tendo adotado o nome de um santo
Cansou, caiu do céu, mas conseguiu pular do cavalo
Capaz de convencer a moeda, da Casa da Moeda,
Que ela é falsa e não a dele
http://www.panoramio.com/photo/25365593

Mas um elemento se uniria à historia
Curiosa e incompleta
Este personagem seria Sérgio
Não o Sérgio pobre coitado
Pois pobres e coitados
Somos todos nós que dividimos uma bola
Para que outro venha chutar

Sérgio seria aquele que vem e chuta
A bola pronta e redonda para o gol
Sem nenhum esforço e só sorrisos

O verdadeiro currículo as folhas não aceitam
Pois Deus não escreveu nenhuma página
E ao mesmo tempo está em todas as folhas
Pois é o cerne da criação

Nunca vi a cara de Deus
Se barbada ou imberbe
Nunca vi a barriga de Deus
Se abaulada ou tanquinho
Mas de uma coisa eu sei
Deus não sorri como Sérgio sorri
Nem curriculum tão imprenssionante
Consegue apresentar
Apesar de ser o Criador e Senhor
Porque Sérgio é criatura
E tem da criatura dedicação e louvor