quinta-feira, 19 de maio de 2016

Sono

Na calada, a noite fiel,
Se enfia por mais um dia, de dia, dias e noites.

Nesta noite e em outras duas
O sono veio a mim e se despediu sem ficar
Enquanto permanecia desperto
Perdido entre rolares na cama
De escamas banhada
Do meu corpo vivo
Esperando o sono retornar
Mas ele não veio
E em minhas veias insones
Continuava pulsar o sangue
E esvair imagens, ideias
Escorrendo insensatas e irracionais.

Os minutos e a escuridão se misturam
Um minuto passa tão devagar como meu vagar
No meu despertar
Esperar o sono
Que não vem

Será que estar morto
É a mesma coisa que estar insone?
Improdutivo, desconexo e atemporal?

Chega a terceira noite
Será que o sono vem e fica?
Se ele passar
Mais uma página em branco será escrita
No meu livro sem memórias
E sem prelo