sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FUGA

Na época das cruzadas a gente tinha como fugir
Ir p´rá guerra sem escolha de voltar
Sem precisar suportar e nem pensar
No dia a dia, nos conflitos e promessas
Nunca cumpridas
De um conviver, querer, amar e sofrer.
http://www.sedentario.org/colunas/teoria-da-conspiracao/quinta-sexta-e-setima-cruzadas-22356


Na época das cruzadas a vida e a morte
Eram liames tão tênues que acordar vivo
Não era promessa de continuar assim
Quando deitasse o anoitecer, fugaz.

Não havia suicidas pois o que havia era avidez
De derrotar os inimigos da Igreja
Mesmo que prá isso tivesse que se atirar
Direto ao gume da espada pagã
Se atirar do cume de uma torre cristã
Ou se afogar nos fossos das barreiras inimigas


Hoje não há mais como fugir
Em um mundo controlado e articulado
Oligarquia comandada por minoria
Que arranca sempre grandes porções
Nacos de riqueza que nem conseguem gastar
Deixando ao povo o resto
De tudo o que restou


Hoje é preciso deitar e acordar
Sofrer, matar e morrer
Quando a natureza do acontecer
Amanhecer para cada um de nós
Na hora em que for preciso
Na conveniência do tempo e do espaço
E na edificação das coisas
Do tempo de cada um.





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DOR

Por quanto tempo ingerir a dose de veneno, mata
Ou se torna remédio?
Por quanto tempo a dor genuina dói, dilacera a vontade
Até congelar a lágrima que se torna cristal e indolente?
http://ppramada.blogspot.com/2011/04/dor-da-perda.html


O tempo é um prisma onde quem o quer longo
Percebe que já passou
E quem não mais o quer, espúria
Percebe o quão extenso se tornou.

Quem tem dor não quer espera
Desespera
E sorrir não ameniza
Eterniza a grita
Que ecoa no infinito.


Quem tem dor é um contendor
Que não tem tempo de curar as feridas
E se liquefaz de sangue na luta
Onde não há vencedor e nem vencido.


Quem tem dor não cede á dor
Apesar de já estar derrotado
Derrocado pela solidão, desesperança e... dor





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VAZANTE

Alguns dizem que é tempo de estio
Outros preparam seus barcos
E rotas arcadas segmentadas
Do tempo sensível e vazante
Projetam no tempo o sem fim
Methadone-60mg-the-equivalent-analgesic-dose-for-heroin-treatment.2.jpg


Chove lá fora. Afora e aflora
Um mar de água que ninguém prometeu
Todo mundo procura seu fim
Nenhum meio ou início se bastam.


Viver é exercício diário
Com suas doze doses de suor
No meu caso de doze doses a mais de açúcar
Indigestado


Viver é mais que um sol, maior
E menos que um acorde do sol, astro
Irradiando e controlando explosões
Prá calar o que explode em mim

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bicho Homem

O bicho homem é um bicho
De pé 
Pior que chulé
Infiel, oportunista que imagina
Que ainda é esperma
Disputando o óvulo para fecundar
E quem em sua frente se dispuser
É obstáculo a transpor
Poeira a ser dizimada.
http://imagem05.vilamulher.terra.com.br/interacao/4751029/a-frustracao-a-raiva-e-o-aprendizado-no-luto-81211-1.jpg


O homem é criação que se tornou criatura
Predador que não reconhece sua espécie
Bebendo o sangue de seu semelhante
Prá se alimentar...


Dor e doar começam com a mesma letra
E soam com um mesmo tom
Tudo o que há de bom cabem na palma
Espalmada de uma mão.
Só o tempo mostra o que os olhos da gente
Se nega a enxergar.

Há momentos na vida que precisamos matar
Um pedaço de nós mesmos
Para que o resto que sobre, sobreviva.