quarta-feira, 25 de abril de 2012

Escarface

Hoje não tenho mais que duvidar
Quando me telefonam o dia inteiro
E em partes respondo quando perguntam
Meu nome.
Sou um desconhecido clássico
Jamais reconhecido
Mesmo quando identifico
Minha identidade
http://blogdamariainez.blogspot.com.br/2011/11/abandone-necessidade-de-reconhecimento.html


Será que quem quer saber quem sou
Quer saber, na verdade, quem é?


Reconhecer-se no outro é reconhecer a si próprio
Mesmo não gostando do que vê refletido.
Identificar diferenças e reposicionar
Saber como mudam as ondas
E abrem a queda
pelo paraquedas.


Leva-se uma vida para conhecer quem achamos conhecer
E outra vida para entender por que mudou
E quando não há mais tempo
Resta a memória que, de certa forma, é um tempo
Que se desdobra num outro espaço
Onde não há mudanças, só danças, vultos
Do que já se foi.


É muito fácil tornar-se um louco
Varrido para debaixo do tapete
Encontrando outros varridos
Presos pelo mesmo ritmo
Que se repete
Infinitamente  dentro do mesmo compasso