Hoje postei no blog
Um poema torto
Tão torto que só pude lê-lo, torto
Pés na cabeça
Sol nos pés
Era prá dizer tudo que ninguém quis ouvir
Era prá fritar o pão dormido
Já que o ôvo tava pronto
E a gordura ainda quente
Pedia prá não se conter
Espirrando da panela
Besuntando o ar, empestiando-o.
Falava de pena diferenciada pelo mesmo crime.
Prá um, aposentadoria compulsória;
Prá outro, pena de morte.
Falava das grades altas, elétricas onde criei minha prisão
Enquanto que fora delas, o mundo não tinha dono
E se apossava dele toda sorte miliciana
Toda morte pelo mais forte
Todo trote de resgate
Todo estupro e droga
Cabeças de ácidos vagantes
Numa procura de valores, tortos.
Falava da TV onde carne se farta à mesa
Onde sexo é moeda de troca
E o rebolado é a linha de frente
Da escola de samba e do funk
E as massas se movimentam como ondas
Maré que quando vai e já, volta,
Repetindo-se no infinito
A consciência coletiva cria monstros como
Hitler
E sonhadores como Marx
Palhaços como Chaplin
E pseudo homens como André e Edir, o Macedo.
Cada um tem sua crença e se engana quem pensa
Que é na diversidade burra que a sociedade é una
Quando o que mais precisa é evoluir
Em benefício de si própria.
Queria que você visse onde fica o circunflexo do meu E. Que atirasse a corda que atiro e juntos subíssemos o Aconcágua. Quando a rocha se desprendesse, fossem rodas para deslizarmos com nossas pranchas a surfar, minúsculos como poeira ao sabor do ar, gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio, sinuosos em rodopios e leveza.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Espia
Preciso apagar a luz
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade
Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso
E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua
Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
![]() |
| http://www.diariodemarilia.com.br/docs/fotos/novo/2009-11-07_1_1257632804.jpg |
Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade
Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso
E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua
Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença
O sol
O sol nasceu para todos
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.
O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.
Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.
O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.
Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano
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