quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poema Torto

Hoje postei no blog
Um poema torto
Tão torto que só pude lê-lo, torto
Pés na cabeça
Sol nos pés

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicdcjFIIeuL0kGo_CEQKhvS9UpkyIN5bOryhZhBnuLjqoXQTyFrpbHdzMuu1fPp0QZJTXkeG-XQhCbiMedB7eL0fY0yM0g7WevI86htby9mpvLp5hP0G4xBa6G8S5rg2VpBCj-ye4k0Sg/s400/espinho.jpg


Era prá dizer tudo que ninguém quis ouvir
Era prá fritar o pão dormido
Já que o ôvo tava pronto
E a gordura ainda quente
Pedia prá não se conter
Espirrando da panela
Besuntando o ar, empestiando-o.

Falava de pena diferenciada pelo mesmo crime.
Prá um, aposentadoria compulsória;
Prá outro, pena de morte.
Falava das grades altas, elétricas onde criei minha prisão
Enquanto que fora delas, o mundo não tinha dono
E se apossava dele toda sorte miliciana
Toda morte pelo mais forte
Todo trote de resgate
Todo estupro e droga
Cabeças de ácidos vagantes
Numa procura de valores, tortos.


Falava da TV onde carne se farta à mesa
Onde sexo é moeda de troca
E o rebolado é a linha de frente
Da escola de samba e do funk
E as massas se movimentam como ondas
Maré que quando vai e  já, volta,

Repetindo-se no infinito
A consciência coletiva cria monstros como Hitler
E sonhadores como Marx
Palhaços como Chaplin
E pseudo homens como André e Edir, o Macedo.

Cada um tem sua crença e se engana quem pensa
Que é na diversidade burra que a sociedade é una
Quando o que mais precisa é evoluir
Em benefício de si própria.


Espia

Preciso apagar a luz
Mas o sol ainda brilha.
Preciso pagar a luz
Antes que vença
E as avencas povoem o meu jardim.
http://www.diariodemarilia.com.br/docs/fotos/novo/2009-11-07_1_1257632804.jpg


Preciso esticar o pescoço
Até ouvir ranger os ossos ou breve estralo
Da coluna que me tira ao passar dos anos
Estatura e qualidade


Qualificar e desqualificar o que é complexo
Nada é tão simples quanto na época das máquinas
De escrever
Pois este era seu único fim: escrever
Mas os tempos escrevem multifunções e multimeios
Tocar banjo, piano e violoncelo
Usando uma única mão
Contramão de ver nascer o movimento
Geração expontânea
De um sorriso


E por falar em sorriso
Na boca dos ciganos eram que ouro
E hoje outros metais acertam o erro da natureza
Em qualquer um, cigano ou não
Botox perseguindo uma beleza comum
Fugindo da diversidade
Alinhando-se a conceitos crus
Arroz mal cozido
Carne crua


Ver o mundo passar
Sentado em uma cadeira
Não precisa ser pela TV
Quando mais a gente soma os algarismos
Mais se acentua a diferença

O sol

O sol nasceu para todos
E muito poucos, dele se protegem,
Usando filtros, chapéus e sombreiros.
Somente os obreiros, mesmo se protegendo,
Não se protegem.




https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhig3MrDA32yabmUzYq_3JnkLybDPQZFZ3kUflFynVZvejA6xvhuGiMKllgYqqmr8V6_F_sIOr1BWRJRQC9YNRLuPwFhu96I0BuowrSKZwJMkqUVuTHl8RBHwS4vtb3yblc6zEUkdaKCby-/s1600/olho-e-por-do-sol1.jpg














 













O sol nasceu para todos
Mas dele todos querem
Que antes tenha sombra
Que antes que ele nos assombre
Nasça antes
Sombra e água fresca.

 
O sol, ah o sol, há o sol
Solstício de verão
Todos verão a fúria
Penúria inclemente que queima a pele
Tosta a carne
Churrasqueira que frita os ovos
No asfalto.

Falto com a verdade aqui
Pois o verde é verdade
Verdura que escurece na frigideira
De um frugal almoço cotidiano