terça-feira, 21 de junho de 2011

Tempo

Quanto tempo o tempo tem
Além dos sete dias ou sete vias
Entenda bem, aqui na Terra
Pois que em Marte o guardião é outro.
http://surrealismodoacaso.wordpress.com/2008/02/20/salvador-dali/
Quanto tempo tem o tempo
Ou será que ele não tem
Pois que ele finitude não há
E conceito de tempo é do homem
Um dos mandamentos
De tantos outros mandamentos
Como prazo, ganho, condições
Abstenção, morte e vida.

Quanto tempo tem o tempo
P´ra alforriar o homem 
Angariar do homem a confiança
De que não é o homem senhor
Pois que o tempo é de mazelas
Artífice de sutilezas
No conduzimento das coisas?

Cada um é regido por seu próprio tempo
Supervisionado pelo tempo maior
Na conjunção das coisas.
O meu amor é eterno como o tempo infinito.
O seu amor é terno, mas, finito como a morte.
Nossos tempos se desencontram
E nos desencontros, passamos um pelo outro.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Espírito

Quem busca a verdade não exige, dos outros, a verdade
Pois que já conhece a mentira
E sabe quem mente e onde reside a falsidade.
http://bocaberta.org/2008/09/paisagens-incriveis-do-deserto-mais-alto-do-mundo.html

Quem busca a honestidade não exige, dos outros, ser honesto
Pois sabe selecionar o desonesto do honesto
A barganha da doação
O choro e a lágrima
O infortúnio e a maldição

Quem ama de verdade não exige, dos outros, amor
Pois ama incondicionalmente
Sem esperar ser amado.

Quem busca fidelidade não busca, no outro, fidelidade
Pois que o corpo, pela própria natureza é infiel
Falha, envelhece, adoece e morre
Mas o espírito é como a montanha,
Permanece sob a neve, o fogo e as tempestades!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Aryane Caroline

Hoje recebi uma visita
Conto encantado e sua princesa
Linda! Olhos azuis e bochechas vermelhas
Queimadas pelo frio de junho

Emocionado minha garganta apertou
E há muito custo consegui segurar
As lágrimas que me surgiam lá do fundo
Onde ainda restou um pouco de felicidade
Em um canto qualquer de mim

Ela pediu-me, com um sorriso largo
Onde poderia lavar as mãos
Foi e voltou
Saiu como entrou
Rápida e singela
Livre e envolvente

Aryane
Passarão mil anos
E mesmo assim sei que não conseguirei agradecer
Tudo aquilo que representou
Representa e representará para mim
... e em mim

O nada

Só um tsunami pode varrer
Anestesiar a dor, levar
Lavar a chaga de sangue
Langue lágrima recorrente
Como os soluços que se entrelaçam
Amassam, corrompem
Todas as comportas da vontade
Do inusitado e da temperança
http://artureduardo.blogspot.com/2011/04/documentario-nada-videos.html

Uma montanha pode servir prá profetizar
Ou monitorar domínios
Impedir invasões e evasões,
Ser um lar onde a natureza converse
Através dos pássaros e do sol
Um diálogo que não está nos livros
Nem nos poemas mais bem escritos

Posso escrever sobre tudo
Todas as minúcias e como se equilibra a moeda
Dentro das múltiplas forças
Que controlam o globo
Mas ninguém compreenderá este vazio
Este exagero, este fenômeno,
Que me reduz a um grão
Menor do que o nada.

Tristeza

O homem só é mau
Porque receia que lhe causem mau
E se adianta na vilaneza
Destrói Veneza
E faz apologia do outro como sendo mau
E a sociedade que lhe é injusta
E justas são suas condutas.

O homem só é mau
Porque a fome é má
O frio é incontrolável
E a vida é uma só
Sem espaço prá tantas vidas

Poucos homens são bons
Suportam calados a dor própria e dos outros
Aguentam fardos que seus mirrados corpos quase sucumbem
Alimentam-se da esperança como seus pulmões, do ar
Vivem a poesia para amortecer as vozes
Que gritam pela boca do espírito incontrolado

Tristeza pode ser uma condição temporária
Mas pode também ser permanente.
Seja como for a gente vê refletida
Não no reflexo do olhar
E sim, na forma de sorrir.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vida de Mendigo

O mendigo reparte o pão, com o cão
Fiéis na fome, no frio e no cobertor
Estertor falindo, latindo o melhor amigo
Do homem
P´ra chamar a atenção onde os sentidos
Torpes na visão, audição e na dor
http://delirioseparanoias.blogspot.com/2011/01/um-dia-tive-medo-e-pena-de-mendigo.html

O dia a dia é árduo
Batalha inglória para conseguir
O básico do basilar
O fálico de uma presença
Que não seja mera paisagem
De pena e comiseração.

Mas pena de quem e de quê?
Se nossos olhos ficassem metade do tempo
Voltados para o outro, se vendo no outro
Entenderíamos muito mais a nós mesmos
E talvez compreenderíamos que o pão
Nosso de quase todos os dias
Poderia ser partido e abençoado
Pelo milagre dos peixes.

Todo pão tem um meio
Onde encontramos sempre a metade
E cada metade tem um meio
Onde encontramos outra metade
E espantar a fome, o sol, o frio
Antes que daqui há três anos
Novo eclipse total
Aconteça sem que possamos ver
E perceber que em nós também há um ciclo
Estejamos no circo ou no círculo
E que passaremos
Como reis ou serviçais
Mas, passaremos.
Depois de muitos séculos ninguem saberá
De qual ossada armava-se um corpo
Seja de Bill, o Gates, ou do Arlindo, o mendigo

Coiotes

Haverá um dia 
Apesar de não saber se viverei pra ver
Em que os mexicanos fecharão suas fronteiras
Aos E.U.A.
Guardas mexicanos, armados, guardarão seus limites
E os coiotes americanos tentarão passar
Conduzindo sonhadores
Desejosos de adotar o "jeito mexicano de viver".
http://www.colegiosantoagostinho.net/index.php?option=com_content&view=article&id=90:e-possivel-determinar-os-tres-maiores-imperios-da-historia&catid=1:educacao&Itemid=96

São meio que minhas palavras
Mas, muito mais, são dizeres da história
Que em seu trono secular mira o homem e as coisas
Em seus rastros e mudanças na evolução.
Dessa forma acabou o Império Romano, o Russo
E o dos Britânicos,
Entre tantos outros impérios
Como o de Alexandre, o Grande,
Os mongóis.

O Império Romano iniciou-se no Século 4 a.C
Findou-se entre 410 e 480.
O Império Russo iniciou-se no Século 16
Findou-se com a Revolução Russa em 1917.
O Império Britânico iniciou-se no Século 16
E pode ser datado como findado com a independência da Índia
No ano de 1947
No calor da desobediência civil
Na guerra da não violência

Simploriamente Lavoisier profetizava
"Na natureza nada se perde, nada se cria,
Tudo se transforma".
Na verdade ele descrevia o código genético
Da sociologia e da evolução das espécies.

Apear da dor

Preciso apear desta dor
De tudo que dói e destrói
Minha gana de ser, de estar ou permanecer
Mas eis que a cavalgada é veloz
E meu algoz destitui-me deste alento
Acreditar que o dito popular são vozes
Daqueles que apearam
Daqueles que se atiraram
E de quem nem conseguiu...
http://domescobar.blogspot.com/2011/03/estamos-sozinhos-no-universoa-verdade.html

Purgar em um oratório, esperar
Entender que a hora de pular e se atirar pode ser agora
E se não for perderei o trem.
Amém a todos os rosários
Tantas promessas, crenças...
Do sonho extraímos a esperança
Mas tudo tem um tempo prá maturar
E que nunca é o nosso tempo
É o tempo do próprio tempo tecendo
Colmeia construída por milhões de abelhas
Produzindo cera, favos de mel.

Minha existência é um arremedo
Diante da existência humana.
Meu corpo é somente uma ilha
Frágil contra um meteoro ou a fome.
Poderia ser um diamante ou um dia, amante,
E morrer como se nasce
Uma estrela musical.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ouropeu

Poderia ter lhe dado tudo que não tive
Escrever-lhe tudo que pudesse escrever
Nas dunas coloridas pelos raios de sol
E mesmo que se apagassem os escritos
Pela onda do mar ou pelo zéfiro rastejante
Ainda estaria calados em mim
A matriz criadora daquele momento
Pedra fundamental do meu castelo
Quem nem o rufar dos trovões e o pipocar dos raios
Conseguiriam ameaçar
http://browse.deviantart.com/?q=anger&order=9&offset=408#/dkqa7k

Poderia, ah como poderia
Recriar o movimento, reinventar a circunstância
E acabar com a finitude de um momento
E parar no tempo como se tivesse conseguido
Quebrar o paradigma do passado, presente e futuro

Poderia, ah como poderia!
Acreditar que morrer fosse viver
E que viver tivesse outra proposta
Que não ter que lutar pelo dia a dia
Pelo pedaço de pão e pela mortadela
Acender uma vela crente no milagre
Que nunca acontece...

Cai a noite, vem o sol combatendo o frio.
Assim é natureza e assim é o natural.
Sobrenatural é a noite que me cobre
E que nem o sol consegue espancar.

Indócil

Qual o preço que paga a pressa?
Qual a peça que se compra inteira?
Qual a veste que cobre o sentimento
Nu de desinteresse e débil
Pois faz da entrega sua sina
E do sino o seu embalo?
http://browse.deviantart.com/?qh=&section=&q=anger#/dp5frr

Qual entre os quais atira
A primeira pedra!
Qual entre os quais não foi surpreendido
Por uma lágrima vã
Largada  por um amargor?

Todo desafio desafia a dor
Em parar, estancar um sangramento
Chagas abertas e incontidas...

Há um momento na vida
Que a dor aberta por tantas chagas
Transforma-se em torpor
E nos tornamos um igual aos iguais feridos
Animal indócil!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Felicidade

Neste mundo de predação
O mais forte sempre sobreviverá
Corpos humanos serão esteiras
Para a passagem do rei, ou rainha.

Neste mundo de traições
Sempre terá o traído e o traidor
Que sem pena, dor, trai se realizando
Imaginando que qualquer fim se justifica
Pelos meios.
http://holografias.blogspot.com/2010/09/holografia-da-felicidade.html

Assim é o caminho prá se atingir o trono
Ao poder, à glória
Mas que glória?

Felicidade não se emprega
Nem na cidade e nem a feliz
É só uma frase que como saudade
Não precisa de meios, força ou traição
Para que do alcance
Seja de um braço a distância
E de um abraço o envolver

Sansão, traição!

No Livro dos Juízes
Semadar e Dalila, irmãs.
A traição de Dalila tem gosto de vingança
Acreditando na vilaneza
Sem ouvir um tribunal
Sujando de sangue uma história
Causando dor em Manoá
http://krignakarisia.blogspot.com/2010/07/o-sansao-de-dalida.html

Sansão, Israelita, nazireu
Traído sem poder defender-se da morte de Semadar, sua noiva,
Encontra nas mãos de Dalila o selamento de sua existência.

Sansão, da tribo de Dã,  fora o 13º juiz de Israel
Suscedeu Abdon e suscedido por Eli
Traído por Dalila
Entregue aos filisteus por uma filistéia.

A dor que Sansão sentia pela traição
Levou sua vida, suas vitórias, seu futuro
A um fim inevitável. A morte.

Desde os primórdios
A traição é herança dos homens.
A natureza do homem vai contra a natureza das coisas.
Bem aventurada a extinção da espécie humana.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Astréia


Tema Themes perder
Título de Deusa, pois Astréia
Ganhou o coração de Zeus ao expor sua nudez
Diante os olhos dos mortais
Que paralizados testemunharam
Seu nascimento

Tema Themes, deusa da Justiça,
Esta justiça dos homens que se tornou divina
E divinamente povoou a terra
De uma beleza cristalina e contagiante
Transformando o silêncio
Em gotas de notas musicais

Astréia fez justiça aos homens
Se tornando o símbolo da mulher
Sinônimo da poesia
Sol da tarde espancando solene
A escuridão por vir

Tema Themes, tema!
Ou aceite este irrefutável juízo
Esta condenação mortal
Fadada a ser substituição
Pois nova eleita é reverenciada
Nos corações das gerais

Não

Dizes não com uma convicção extrema
Que até parece que a Terra não tem mais salvação
Que a canção foi proibida
E os versos, emudecidos
https://picasaweb.google.com/hudson.bonomo/Retratos#5445103727930341474

Dizes “não” com uma convicção tão grande
Que não duvido e mesmo da dúvida nasce
Ainda o fio da esperança
Ligando  o nascente e o poente
Lançando um desejo encapsulado
Numa bolha vagando por Bacaraús

Dizes não prá mim ou prá si, não sei se importando tanto
Mas dizes não
E lhe respondo enfim
... sim!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Chai Ling - Pça. da Paz Celestial

As vezes um milhão de palavras
Não substituem as ações
E um milhão de ações
Não substituem uma lágrima
Que escorra, seja ela falsa ou verdadeira
http://www.youtube.com/watch?v=u7Mf9j8co70&feature=related
As vezes um corpo é mais resistente
Do que um tangue
Quando este corpo está vestido de uma armadura
Da desobediência civil
 
Verter lágrima é fácil
Contê-las é que é difícil
Seja um contedor ou submisso
Torturado ou livre

A história da China é antes de tudo
A história do homem e das civilizações
Mesmo que a cultura seja grega
E o modo de pensar, agir e vestir

Desobediência Civil pode ser uma solução
Mas não é a solução
Enquanto o poder e interesses
Estiverem nas mãos de poucos
E estes poucos dominarem a maioria

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Phan Thi Kim Phúc



Kim Phuc foge do Napalm
08 de Junho de 1972
Dois anos antes o Brasil ganhava a copa do Mundo
E os americanos perdiam, moralmente a guerra
Contra o Vietnã


http://www.youtube.com/watch?v=Ev2dEqrN4i0&feature=player_embedded
Phan Thi Kim Phúc
Hoje é embaixatriz da boa vontade da UNESCO
Carrega ainda cicatrizes
Que levará pela vida inteira
Memória indelével na mente e no corpo

Em 1972, os americanos lançaram a bomba
de napalm em seu povoado, sul do Vietnã.
Um fotógrafo, Nick Ut,
Eternizou aquele momento de Kim Phúc
Eternizou um momento de uma guerra
Onde civis desarmados e crianças
Eram vítimas

Ainda hoje civis e crianças
Morrem no mundo inteiro
Vítimas da ignorância humana.

Ancião

O ancião anseia um seio
Que lhe aceite sem açoite e sem noite
Em seus dias já tão contados
Juntados como grão de milho
Ilhados num sabujo
Gerados no período de seca.
O ancião é reserva de saber
Mas o Jovem sempre pensa que sabe mais
Muito mais que sua juventude míope
Consegue alcançar
http://oultimolampejodocrepusculo.blogspot.com/2010/06/o-conto-o-anciao.html

O Destino de todo jovem
Mesmo que não anseie e adie
É ser ancião
E o destino de todo ancião
Mesmo que não anseie e adie
É voltar a ser jovem
Mesmo que o corpo tenha ficado no tempo
E o passado é que lhe mova

Abu Ghraib

Em Abu Ghraib é difícil não ouvir a dor
Mesmo que esteja repleto silêncio.
É difícil saber se quem está vivo
Está morto ou morto-vivo.
Usada por soldados de Saddam
E também pelos de Bush
Abre-sésamo para o inferno
Nos dias atuais
Pois Abu Ghraib foi considerada
"Sinônimo de Inferno sobre a Terra".

Bagdá, nos meus tempos de criança,
Era palco de história de fadas
Onde Ali Baba abria os portões da felicidade
Com um Abre-te Sésamo
P´ra chegar ao tesouro.

Dos abusos em Abu Ghraib
Somente 1º sargentos, e patentes inferiores
Dos soldados americanos
Receberam condenações.
Tenente, capitães e majores
Continuam diante do tabuleiro
Jogando seu xadrez macabro.

Em Abu Ghraib
Desde que foi criada por ingleses
Quando o Iraque ainda era colônia
Nasceu com uma vocação diabólica:
A tortura!
Onde homens mostravam aos outros homens
Que eram piores que animais
Dentro de um palco onde só havia sádicos
Fazendo da tortura, mero lazer.

Há um Abu Ghraib dentro de cada um de nós
Quando agimos ou quando omitimos
Quando julgamos, apenamos ou quando absolvemos.
O homem é um predador de sua própria espécie!

domingo, 5 de junho de 2011

Olhar p´ra trás

Olhar p´ra trás é difícil
Desde que p´ra frente haja muito que enxergar
E os caminhos a percorrer estejam escuros
Exigindo dos sentidos todo sentido
Onde colocar as pegadas até o mar
http://voooz.com20110308behinds-eyes-have-some-secrets-photos

Olhar p´ra trás não é difícil
Quando já se está instalado, banho quente, comida
Lauta mesa a espera...
Mas há temor em olhar
Voltar o pescoço e procurar
o que ficou
Pois o medo do que se perdeu
As conjugações e interpretações pérfidas dos mandamentos
As ações ímpias contra a moral
Os preços pagos por coisas tão banais
Assustam.

O passado são águas que refletem nosso espelho.
O presente são momentos em que melhoramos ou pioramos
Nossa imagem neste espelho.
Independente de arrepender ou perdoar,
O futuro, incerto, é onde podemos modificar esta imagem
Acreditando que a memória irá se apagar.

São marcas que levamos pela vida
E mesmo que a memória se apague
 Nosso espírito estará lavrado
Nosso corpo estará marcado
Por uma vírgula.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Gomes, Osmir Camilo

Conheci Osmir ainda no século passado
Sedento como um "camilo" no meio do deserto
Compunha seus versos diferente dos de Carlos, o outro Gomes,
Pois Carlos fazia música
E Osmir, poesia.
http://www.fatoreal.com.br/index.php?l=dm_sis_noticia/act_ver&cod=10936&cod_tipo=4

A poesia de Osmir
Nasceu sempre como propostas de experimentos visuais
Movimentos e cores em aleatório
Bala de fuzil em uso
Na tomada da nova Bastilha
Como se fosse necessidade, carência de ser visto
Pela insipidez dos não poetas
Refletindo uma óbvia Verdade
Bem narrado por Platão
No Mito da Caverna

Até hoje não sei se Osmir é negro ou branco
Pois como Michael
Continua unânime como Mozart ou Zumbi.
Só sei que fios brancos já lhes rompem abusados
O couro cabeludo e o queixo
E ele, sem se queixar, exibe no olhar
Morfeu e Arlequim
Prometeu e as correntes

Ninguém que tenha conhecido conseguiu andar
Atrás ou a seu lado
Pois poeta é assim mesmo
Acaba de chegar e já vai saindo.

Perder ou Ganhar!

Não me importa perder ou ganhar
Pois p'rá perder é preciso ter
P´ra ganhar é preciso que não seja suficiente
O pedaço de pão que se coma
O leite que se derrame
Ou o vazio que se tenha no peito

http://mayuri111.deviantart.com/
Me importa é a diminuição
Do volume da água jorrando pelo cano
Enquanto a sede endurece a garganta
Do caminhante distanciado do rio
E esquecido pelas chuvas de Março...
O cessamento da gargalhada diante do palhaço
Que cai do trapézio
Substituindo o trapezista.

Me importa é a vontade de querer ler
E o olho cego vazando a imensidão
De escuridão, lendo movimentos,
Que os sentidos, tão sem sentido, enxergam

Me importa é cantar esta canção
E ninguém por perto prá ouvir
Só o uivo dos lobos que cortam meus agudos
Diante do farol da lua que brilha calada
Dentro de um silêncio
E um fim.