terça-feira, 31 de maio de 2011

Ímpio

Ímpio, calão incompreendido
De estilo apotídico*
Algoz aprisionante onde a dor
E o escárnio preponderam
Onde naquela lacuna houvera amor
E a hecatombe desmoronou
http://browse.deviantart.com/?q=good&order=9&offset=96#/d1pc8l1

Até prá se criar um lixão é preciso concatenação
Até nas ações são concisas as pressões
Chefe é situação permanente
Desde as tribos, carijos e emboabas

Glauber Rocha eu bem sei
Que "Kanzer" não mata
Intelectual orgânico
Que vomita o ôvo cru
Minhas póstumas homenagens

Um dia falaremos da Bahia
Sem eu nunca ter ido ao Elevador Lacerda
E nem comido acarajé
Já beirando ao cinquentenário
Sem ter ido ao tatu-a-pé
Nem comido a buchada e nem a cabra

Não quero mais falar nem da dor e nem do ódio
Pois na verdade me sinto só
Tão só que da garganta cuspo pó
Deste deserto que perco além das vistas
Já cansadas e muito míopes

Tão só que se encontrasse uma multidão
Cantaria uma canção
P´ra espantar esta miragem
Que atrapalha o meu andar

Apotídico eu sei
E  nem adianta espernear
Então o que resta é ficar mais míope
E continuar a caminhar


*apotídico é a revelação da vontade de Deus que, respeitada ou transgredida, trará bênção ou maldição.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Teofania

Quem cimenta os valores que interligam
As gerações?
As relações entre pais e filhos tendem sempre
A serem diferentes.
As relações familiares tendem sempre
A relações de trabalho.
http://textosroubados.blogspot.com/

Onde fica a opinião diante da transformação?
"Há mais coisas entre o céu e a terra..."
Há quase cinco séculos já dizia
Nos escritos de Willian.
E a evolução é a única certeza
De que talvez não evoluamos tanto.

Onde está Deus?
Procurei em tantos oratórios
Adentrei tantos templos
E sempre ouvi um silêncio
Nada de algazarras, arroubos de felicidade
Estridência de movimentos
E nem sequer música

A música até entendo...
Não se pode tocar mais música
Sem que recolha ao ECAD Direitos
Sejam psicografia ou não.

Onde está Deus ou o dedo de Deus?
Até minha voz nem mais levanto
Pois nesta loucura
Pergunto às perguntas que sem respostas
Repetem-se dentro de um motocontínuo
De um milagre evidenciado
De que todos nós estamos sós
E não adianta encarar a faca ou bala perdida
Acreditando numa salvação

Auschwitz

Auschwitz se repete em algum lugar do globo
Nem são mais judeus as vítimas
Nem são mais os afros
Nem são mais os índios
Nem são mais os gays



Auschwitz em algum do lugar do globo se repete
Pois o homem esqueceu-se da inquisição
Da guerra dos 100 anos
Da bomba de Hiroshima
Esqueceu-se da Satyagraha
Onde Gandhi conduzia a Índia
À desobediência civil
Em nome da liberdade e da opressão.

Em algum lugar do globo o homem continua
Em todos os lugares
Exercendo seu instinto predatório
Controlando vidas, sonhos e liberdade
Para crescer como animal
No trono dos Reis

domingo, 29 de maio de 2011

Novo Dia

Nada mais me angustia
Do que a insegurança que não me anistia
Aguardando uma resposta que nunca vem
Esperando a passagem do trem
E sem saber se há lugar 
Sem saber se há resposta
P´ra pergunta que ainda nem fiz
http://browse.deviantart.com/?order=24&offset=504#/d2t8wrq

Nada é mais angustiante do que esperar o fim
Enfim, não sei ao certo se é assim
ou assado
Mas nada mais angustiante de que a consciência
Vendo a falta de consciência
Ver jorrando á água pela escada
Que leva a lugar algum

Nada é mais angustiante
Do que ver o peito sangrar
O olho vazar
E ninguem ouvir.
... ninguem ouvir...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

OS CAMINHOS

Depois de ter passado alguns verões
Não é preciso caminhar todo o caminho
Prá saber onde vai dar a onda... nadar
De braçadas até o entroncamento do rio
A continuar procurando uma nascente...

Depois de alguns Verões, basta ver
Pra saber onde vai dar e se vai dar
A produção de suor, independente das mágoas
E das águas que possam burburinhar

http://www.deviantart.com/#/d3hem8i
Só depois de alguns Verões
É que se sabe se tantas estações
Nos levaram ou levamos
P´ra algum lugar

Dinheiro é bom, mas, sem dinheiro
É que conhecemos quem são os verdadeiros
Companheiros de uma vida toda
Pois que todos têm uma caminhada
Mas nem todos seguem o mesmo caminho
E entre os desvios e encruzilhadas
Onde paramos p´ra descansar
É que compartilhamos um mesmo cantil
Ou uma mesma cana
Desencanando da grande mentira
Que é acreditar-se viver pra sempre
Pois um dia se chega ao fim do caminho
E não há mais nada pra caminhar

Bom dia Vietnan!

O bom dia de hoje não é mais o mesmo
Apesar de o Vietnan continuar o mesmo
Povoado pelos filhos, netos dos pais e mães
Que conheceram as tropas de elite e sem elite
O terror da guerra-fria que esquentava as relações
Entre as bipoladas nações que comandavam
O mundo de Zeus

http://www.deviantart.com/#/d3he6p6
Bom dia! Quem escuta mais bom dia
No pós Vietnan pois noite e dia
Há corpos movimentando as ruas
Consumindo orgias e tramando esquemas
Para uma nova ordem mundial

É... a curva dos anos nos coloca literalmente à curva
Questionando se é pra continuar ou atalhar
Pois voltar não é mais possível.
Na época da guerra fria dava pra saber
O que era Yin e Yang.
Hoje, Yin e Yang têm família
E o tronco se dividiu criando paradigmas
Novas formas e meios
De chegar ao mesmo fim
Que a humanidade ofereceu aos homens
Desde sua remota existência

terça-feira, 24 de maio de 2011

Compreensão

Para que possa compreender o outro
É preciso que compreenda o verso
Do verbo que ando entoando
Perdoar o erro
Mesmo sabendo que o erro é do homem
Um hiato que não se apaga

Compreender o outro sem julgar
Galgar o comprimento métrico do laço
E deixá-lo pender sem apertar
Deixar respirar no cadafalso
Pois há chance de a luz acender
No pavio da vela acesa ao santo
Após orações em desespero
E esperança avaliada
http://browse.deviantart.com/?order=24&offset=24#/d3heqdv

Paciência é prus japoneses
Ver vazar radiação
E acreditar mesmo que o nível crítico aconteça
E o mundo continue a sorrir

Ando cansado e sem canção alguma
Pra tocar
Ando tocando a vida e sempre há alguém
Que nem ouve.
Onde devo parar? Que fonte devo beber?

O gole de aguardente queimando a língua
Pra ver na verdade
A forma disforme em que o mundo gira

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Segunda-feira

Quem foi que disse que a semana começa
Onde termina o sábado?
Preciso aprender com o sol como rir
Ao ir toda tarde e voltar tão cedo
Antes mesmo que o meu olho cante
A música do galo que perdeu
Horas de sono na madrugada

http://browse.deviantart.com/?order=24&offset=48#/d3hekgf
Gustavo, o Corção, dizia
Que andamos arrastando nosso próprio cadáver
no Umbigo de Adão
Em verdade voz digo que prisioneiro sem sentença
Tem sido minha existência
Condenado a ser livre
Pelo tribunal da natureza

Se o único alimento fosse ar
Nem nos Andes sobreviveria
Pois dependente da poesia
Comensal aprisionado
Fadado a uma cadeia
mesmo que alimentar
Estacionado e calado
Escuto o que as horas podem trazer
Diante daquilo que tenho levado

sábado, 14 de maio de 2011

Missão de Vida

Há quem diga que todos nós temos uma missão
Missionários, aceitemos ou não,
Só não sabemos ao certo se a ela
Fomos confiados ou não
Se somos nós quem a escolhemos
Ou se imputados pelo desígnio Maior.
http://browse.deviantart.com/?order=24&offset=96#/d3hetr7

Se cada um tem uma missão, então,
O ideal seria saber quem tem desígnio similar
Pra dividir a cruz e levá-la ao calvário
Dividindo as chibatadas e o peso
Tornando é árduo, menos cáustico,
Dividindo a gota d´agua
Depositada no mesmo cantil.

Falam tanto de arbítrio
Falam tanto do mal e tão pouco do bem
Falam tanto que e pena mais justa
Seria perder a língua decepada no cepo
e os dedos no prelo

De fato o silêncio tem menos chance de ser fato
Mas o amor nasce também do silêncio
E nele se silencia

Dia 13 de maio. Dentista.

Ontem, dia 13, sexta-feira 13
Manhã de maio, 08 horas
Entrevistado pelo Dr. Luiz Ricardo
Consumamos uma exudação dentária
Sem traumas e sem violência
Dentro do profissionalismo mais perfeito

A perda do dente foi infinitamente menos dolorosa
do que a ausência dele próprio.

http://browse.deviantart.com/?q=dentist&order=9&offset=48#/do5tgd
Assim também é a vida
Perdemos sempre alguma coisa
Seja de forma irreparável ou não
Mas a perda sempre será menos dolorosa
Do que a ausência permanente do que se perdeu
É um pedaço, um membro que se extirpa
Qualquer outra coisa que se coloque no lugar
Sempre será, simplesmente uma prótese.

Silêncio

Escutar o silêncio nem sempre é ouvi-lo.
Por trás do silêncio há sempre profusão falaz
E sempre nossa resposta é também com o silêncio
Apesar de o corpo falar mais alto
Sintonizado em desnorteio e alterações.

Elocubrar pouco adianta
Pois que instalado está a revolução
E o que resta são os corpos
Pois nem mais de vítimas se podem chamá-los
Pois a vida deles já se fora.

Os olhos!
Ah os olhos!
Leitura deles e leitura neles
Recurso da criatura e do criador
Pra o diálogo entabular
http://www.funlinx.to/funlinx_picdump_193_2865m.html
Quando os outros sentidos já estão tão sem sentidos
Que sinto muito
Mas já não sinto
E vejo na memória tanta vida
Que é a chama que alimenta ainda uma vontade
De continuar a viver.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A língua, ferina

Falam tanto da língua
Mas não a culpo  por ser língua e nem culta
Mas sinto que se a boca na falácia
Se perdesse o dom de onitroar
Acabariam as mentiras e os ataques no senado.
Os políticos teriam que reaprender o beabá
Da criança que fede as fraldas
E mesmo assim a mãe entende

O silêncio por trás de uma mentira é alarmante
Pois espelha o facho de luz
Exorciza a escuridão
http://www.myfunlink.to/myfunlink-sexyshots-nr79_13851.html

Mas sinto que se a boca na falácia
Se perdesse o dom de onitroar
Acabariam as mentiras e os ataques  fora do  senado.
Os povos  teriam que reaprender o beabá
Falso a testemunha, mentiras, fofocas
Teriam que encontrar outra alternativa
Pra o homem destilar seu fel
E até seu veneno
Rei dos animais

Simplesmente poeta

Sabia que era hora de ir
Mas prá ir nada de mim poderia ficar
Mas ficava...
Em verdade vos digo
Lá estava tudo o que de mim ainda restava
Então como ir?

Partir significava que cedo ou tarde
teria que voltar
resgatar ou tentar reviver
onde minha fonte, desejo de viver
borbulhava
http://www.funlinx.to/funlinx_picdump_193_2865m.html

Eu estava em você e você em mim
Mesmo que negasse, sangrasse
que fosse traido ou traisse
que matasse ou tentasse
na morte a escrita

Apesar de nossa distancia
Você ainda era a mais próxima
aquela, a única, que se tocasse em meu coração
poderia dar vida e expansão
morte e ressurreição
exterminar minha condição
apagar minha vontade
ou renová-la

Como partir?
Muita gente passa uma vida partindo
pois se encontra na procura
outras tantas quando encontram
dedicam suas vidas a cultuar o que acharam.

Ao encontrar você
Me vi libertado da missão de encontrar-me

Tempo, diamante precioso!

No mesmo momento em que você perde tempo em opinar, outros,  mais afoitos, já vão colocando em prática o que pensam.

http://www.sinn-frei.com/profis-am-werk-23_14952.htm

Há Perigo em Querer

Em todo querer há perigo
Pois em um querer só há um lado
Do lado de dois quereres
Pois de um querer há quem aborte
E de outro, abortado
Mãe que nega  maternidade
Esposo que nega o indissolúvel
Mudam as falas quando um querer é o mais premente

http://www.nurbilder.com/picturedump_479.html
Indiscutível  almejar a liberdade,
Mas, o que é liberdade?
Liberdade é jogar o próximo na linha do trem
Ou cantar como trovão em desafino
No ouvido do maestro musicista?
Sufocar a sombra prá livrar-se é danoso
Como a árvore que cresce na floresta
E mata a flora rastejante.
Quando morre a árvore grande
Só resta uma clareira
Sonegada do sol e de vida.

A árvore livre almeja o céu
E  passa uma existência sem alcança-lo.
Mesmo sendo livre
Escravizada  é pela liberdade
De estar prá sempre
Sempre presa ao chão.

Escusas

http://www.nurbilder.com/picturedump_479.html
Desculpem-me, mas, a google apagou meu blog e conseqüentemente todas as postagens. Dessa forma muito se perdeu pois não guardei os originais. Mas, o que salvei, republicarei aqui.