Ímpio, calão incompreendido
De estilo apotídico*
Algoz aprisionante onde a dor
E o escárnio preponderam
Onde naquela lacuna houvera amor
E a hecatombe desmoronou
Até prá se criar um lixão é preciso concatenação
Até nas ações são concisas as pressões
Chefe é situação permanente
Desde as tribos, carijos e emboabas
Glauber Rocha eu bem sei
Que "Kanzer" não mata
Intelectual orgânico
Que vomita o ôvo cru
Minhas póstumas homenagens
Um dia falaremos da Bahia
Sem eu nunca ter ido ao Elevador Lacerda
E nem comido acarajé
Já beirando ao cinquentenário
Sem ter ido ao tatu-a-pé
Nem comido a buchada e nem a cabra
Não quero mais falar nem da dor e nem do ódio
Pois na verdade me sinto só
Tão só que da garganta cuspo pó
Deste deserto que perco além das vistas
Já cansadas e muito míopes
Tão só que se encontrasse uma multidão
Cantaria uma canção
P´ra espantar esta miragem
Que atrapalha o meu andar
Apotídico eu sei
E nem adianta espernear
Então o que resta é ficar mais míope
E continuar a caminhar
*apotídico é a revelação da vontade de Deus que, respeitada ou transgredida, trará bênção ou maldição.
















