Nasci anônimo
Nenhuma estrela marcou o local de meu nasccimento
E minha família não recebeu nem uma grama
Do que fosse ou parecesse ouro ou mirra...
Assim também nasceram e continuam nascendo
Legiões de anônimos
Numa colônia de cegos que vêem
Mas não conseguem enxergar
Que há por detraz do sorriso?
Sempre pensei que era, simplesmente um riso
Mas até as hienas riem, então,
O que há
E porquê há?
Os evidentes precisam de nós, anônimos
E nós anônimos, do anonimato.
Doadores universais, ó,
Doamos dor e nem sempre há cor
No sangue que escorreu.
O anônimo nasce anômalo e morre anônimo
Têm nomes coletivos como povo, gente, comunidade, população, eleitores, tribo...
Concorrentes a vítimas de decisões espúrias dos evidentes
Que também não enxergam ao longe
Somente para seus próprios umbigos.
O homem já caminhou o suficiente
E não consegue mais voltar
Prefere repetir os mesmos erros
Do que consertar seu desconcertar
Talvez seja preciso demolir
Pra reconstruir
Antes que aconteça a queda
E que as viúvas renasçam
