quarta-feira, 1 de junho de 2011

Casa Branca e Rosada

Os americanos pintaram a casa de branco
E os argentinos nem tanto
Rosaram a casa no hemisfério sul
Os sem-teto do Brasil não puderam pintar a casa
Pois nem casa possuiam
Tava na verdade mais para um tipo aproximado
De revestimento de lona preta de plástico
Pois desta forma, posseiros,
Quando vier a polícia e mandar evadir o local
Nem tanto prejuizo, só muito alvoroço
E algumas balas perdidas
Que algum corpo acaba achando

Sem-teto tem teto em forma de ponte
Construção abandonada
Mas o teto mais bonito é aquele que tem estrelas
Relento de noites de verão
Pois quando é frio ou chuva
Ninguem merece!

Sem-teto divide o pão
Esquece as vezes o que é manteiga
Mas conhece bem o que a cana faz
Ajudando a ver palácios
Onde são construidas meras palafitas
Ou cavernas abandonadas

A Casa Branca e a Rosada tem cores
Agua encanada e até TV a cabo
Banheiros e torneiras de ouro
Comida que é encontrada até no lixo

Os sem-teto tem um teto que se pinta de tantas estrelas
Nuvens, pássaros e aviões
Pipas, gases e poeira
E de folhas das árvores em arrastão
Quando vem a ventania e os trovões
Na faxina sem usar sabão, detergente ou cloro.

O Destino da Corda é a viola

O destino de Prometeu são as correntes
O destino de Osama, Obama;
De Lennon, Mark David Chapman;
De Gandhi, Nathuram Godse;
De Saddam Hussein, George W. Bush
http://umdiadecadavezz.blogspot.com/2011_02_01_archive.html

O destino dos Judeus é a Meca
De Sansão, Dalila;
De João Batista, a bandeja;
De Júlio Cesar, o senado;
De Jesus Cristo, os homens.

O destino de Renato Russo é a SIDA
(Síndrome de Imunodeficiência Adquirida)
De Beethoven, a surdez
DeVincent van Gogh, o suicídio
Que como Santos Dumont, o mesmo destino.

O destino do fala é a audição
Do Titanic, iceberg
Da confiança, a traição
Da bala, a detonação

O destino da fada são os dentes
Do Pelé, a bola
Da luta as vezes a vitória
Do meu coração, o cárcere.

Manhã de Junho

Hoje, ao sair pela manhã não havia sol
Nem lá fora e nem aqui dentro
Os agasalhos controlavam a temperatura
Mas aqui dentro também era inferno
E a considerar as estações
Há muito o sol não surgirá


http://browse.deviantart.com/?q=raios&order=9&offset=72#/d2oajnl

Hoje, ao sair
A manhã era fria e nublada
Mas chuva torrencial lá fora não caia
Na verdade caia aqui dentro
Mas não havia condições precisas
De avaliar os estragos
Que a chuva trazia

Hoje, na verdade, agora
Pois não existe amanhã e nem um amanhã
Não existe passado pois que é passado
E o futuro nem a Deus pertence

Na verdade o que existe?
Ilusões edificadas e fundeadas
Tristeza e podridão
"Na natureza nada se perde,
Nada se cria
Tudo se transforma"