Os americanos pintaram a casa de branco
E os argentinos nem tanto
Rosaram a casa no hemisfério sul
Os sem-teto do Brasil não puderam pintar a casa
Pois nem casa possuiam
Tava na verdade mais para um tipo aproximado
De revestimento de lona preta de plástico
Pois desta forma, posseiros,
Quando vier a polícia e mandar evadir o local
Nem tanto prejuizo, só muito alvoroço
E algumas balas perdidas
Que algum corpo acaba achando
Sem-teto tem teto em forma de ponte
Construção abandonada
Mas o teto mais bonito é aquele que tem estrelas
Relento de noites de verão
Pois quando é frio ou chuva
Ninguem merece!
Sem-teto divide o pão
Esquece as vezes o que é manteiga
Mas conhece bem o que a cana faz
Ajudando a ver palácios
Onde são construidas meras palafitas
Ou cavernas abandonadas
A Casa Branca e a Rosada tem cores
Agua encanada e até TV a cabo
Banheiros e torneiras de ouro
Comida que é encontrada até no lixo
Os sem-teto tem um teto que se pinta de tantas estrelas
Nuvens, pássaros e aviões
Pipas, gases e poeira
E de folhas das árvores em arrastão
Quando vem a ventania e os trovões
Na faxina sem usar sabão, detergente ou cloro.


