Eu rio
Enquanto o rio ri
Do precipício
Das curvas sinuosas
Até chegar ao mar
A gota de meu suor não vai ao mar
Nem a gota do orvalho sabe nadar
Ambas sobem ao ceu e voam pelo ar
Até chegar ao mar o rio morre todo dia
E a cada dia renasce por seus afluentes
Para enfim ser só mar
Amarras de profusão
Potência de imensidão
Imersão
Unicidade
Eu rio e o rio ri
Pois não basta ter um caminho
É preciso caminhar por ele
É preciso precipitar-se pelas encostas
Realinhar o percurso quantas vezes forem necessários
Pela sinuosidade do curso
Até chegar ao mar
Apesar de todos estarmos no mesmo curso
Nem sempre chegamos juntos
Mesmo pertencendo ao mesmo filete de água
Deslizando pelo mesmo leito.
Eu rio e erro
E somando os erros
Pelo erro procuro como não errar
Pois longe o mar nos chama
E é preciso deslizar