A mão amassa a massa
Amassa, amassa
Até que a mistura seja suor,
Suada a tez
Tenha suor, na massa
Salgada, o gado
Se espalha ruminante
Nas pastagens.
A mão do anão amassa
A mesma massa que o gigante
Agiganta amassando
Nesta selva extra virgem
Cartão postal onde não há turismo
Natal é a capital
do Rio Grande do Norte
Mas o maior rio que nasce aqui
É o rio São Francisco
Abra o olho
Mesmo que o cisco feche
Mexe na tomada que acende a lâmpada
Do pisca-pisca da manjedoura
Natal prá o comerciante é dia 25
Mas na verdade natal é todo dia
Pois todo dia temos que renascer
Da morte
Que todo dia insiste matar
A esperança, a vontade, as conquistas
os escritos, os sentimentos...
Queria que você visse onde fica o circunflexo do meu E. Que atirasse a corda que atiro e juntos subíssemos o Aconcágua. Quando a rocha se desprendesse, fossem rodas para deslizarmos com nossas pranchas a surfar, minúsculos como poeira ao sabor do ar, gigantes como dominadores dos movimento e equilíbrio, sinuosos em rodopios e leveza.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
domingo, 22 de dezembro de 2013
Preta Gil
A Gil de preta só tem o pai
Que nem é nosso e está na terra
E santificado é sua música
A Gil do pai também tem o nome
Tem o gene e não tem mais nada
Pois só o Gil nada
De braçadas abracadabras
A Gil canta
O Gil encanta
A Gil fala
O Gil profetiza
A Gil dorme
O Gil embala
A Gil de preta só tem o Preta
Continua procurando o suing
Dentro da cor que nunca teve
A Gil não lembra o Gil
O cio e o ócio
Nada tem de alta
E nem horas
Que nem é nosso e está na terra
E santificado é sua música
A Gil do pai também tem o nome
Tem o gene e não tem mais nada
Pois só o Gil nada
De braçadas abracadabras
A Gil canta
O Gil encanta
A Gil fala
O Gil profetiza
A Gil dorme
O Gil embala
A Gil de preta só tem o Preta
Continua procurando o suing
Dentro da cor que nunca teve
A Gil não lembra o Gil
O cio e o ócio
Nada tem de alta
E nem horas
domingo, 1 de dezembro de 2013
Urbano
Quantos celeiros serão necessários
Para aplacar a fagia humana?
Os rios urbanos são mananciais de fezes e urina
Onde as nascentes são esgotos
Moradas de ratos e baratas
Bem alimentados e gordos.
Quanta fagia é necessária
Para sobreviver a espécie?
Os cães não defecam onde se alimentam e dormem.
Os animais invadem as cidades
Pela fartura dos restos que o homem esquece
Em sua trilha por conquistas, glórias e poder.
Será que e o homem consegue viver
Sem conquistas, glórias e poder?
Há tanta gente vivendo dentro do mesmo metro
Que o semelhante passa ser empecilho, concorrente
Ameaça ao pedaço de pão comum
Narina que rouba o ar que se rarefaz
Não pela greve do verde
Mas pela multiplicação exacerbada
Do óvulo pelo esperma
Descomunal
Para aplacar a fagia humana?
Os rios urbanos são mananciais de fezes e urina
Onde as nascentes são esgotos
Moradas de ratos e baratas
Bem alimentados e gordos.
Quanta fagia é necessária
Para sobreviver a espécie?
Os cães não defecam onde se alimentam e dormem.
Os animais invadem as cidades
Pela fartura dos restos que o homem esquece
Em sua trilha por conquistas, glórias e poder.
Será que e o homem consegue viver
Sem conquistas, glórias e poder?
Há tanta gente vivendo dentro do mesmo metro
Que o semelhante passa ser empecilho, concorrente
Ameaça ao pedaço de pão comum
Narina que rouba o ar que se rarefaz
Não pela greve do verde
Mas pela multiplicação exacerbada
Do óvulo pelo esperma
Descomunal
sábado, 16 de novembro de 2013
Genuinamente José
No dia que o Brasil comemora
Proclamação da República
Presos os mensaleiros, decreta Joaquim.
Grita Genuíno
"Inocente, inocente"
Sou um "preso político"
Genoino é um genuíno político, agora preso
Que ainda não percebeu que o Brasil anda mudado
E que não mais emudece.
Por muito menos um cidadão comum
Comumente seria preso, condenado
Desarmado de seus direitos
Encarcerado na mesma cela
Onde mais de 30 compartilham o mesmo espaço
De três por três
Ou dois por um
Sendo trabalhador
Batalhador que mal vê a família
Vendendo horas prá comprar pão
Má educação
E nenhum lazer
Somente podendo engolir a cana
Acreditando que seu time, campeão
Ele também o é
Genoino compartilha com um só
Seus três por três, quadrados
Em prisão especial
E sua privação não é provação
E sua voz ainda ecoa pelos corredores
Exigindo sua vez
Obrigado Joaquim
Que mesmo se chamando Barbosa
Escuto Brasil
Pois ambos começam com "B"
E "bom" também começa assim
Como é tantos assados
Assim e assados
Obrigado Joaquim
Mostra a cor da revolução, da mudança
Numa dança que prenuncia novos tempos
Novos valores
Verde, amarelo, azul e branco
Proclamação da República
Presos os mensaleiros, decreta Joaquim.
Grita Genuíno
"Inocente, inocente"
Sou um "preso político"
Genoino é um genuíno político, agora preso
Que ainda não percebeu que o Brasil anda mudado
E que não mais emudece.
Por muito menos um cidadão comum
Comumente seria preso, condenado
Desarmado de seus direitos
Encarcerado na mesma cela
Onde mais de 30 compartilham o mesmo espaço
De três por três
Ou dois por um
Sendo trabalhador
Batalhador que mal vê a família
Vendendo horas prá comprar pão
Má educação
E nenhum lazer
Somente podendo engolir a cana
Acreditando que seu time, campeão
Ele também o é
Genoino compartilha com um só
Seus três por três, quadrados
Em prisão especial
E sua privação não é provação
E sua voz ainda ecoa pelos corredores
Exigindo sua vez
Obrigado Joaquim
Que mesmo se chamando Barbosa
Escuto Brasil
Pois ambos começam com "B"
E "bom" também começa assim
Como é tantos assados
Assim e assados
Obrigado Joaquim
Mostra a cor da revolução, da mudança
Numa dança que prenuncia novos tempos
Novos valores
Verde, amarelo, azul e branco
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Ratos nos porões
É muito mais fácil tratar de forma igual os desiguais
Do que os iguais, de forma justa.
É muito mais fácil adotar o padrão
Do que recriar a criação.
Dizer o que se sabe, quem sabe,
O outro consiga entender
Compreender o elo que se faz
Entre a voz e o que se sente
Não é preciso muita comida prá sobreviver
Mas sempre comemos como se fosse a última refeição
Última afeição
Aberto o alçapão
Aborto
Não é preciso ser muito preciso
Prá aceitar que o dente dói
Pois precisa cair
Sair da boca
Antes que feche
De vez
Ainda vejo por detrás
Do que o monte esconde
Em minha miopia, minha idiotia
Publicada em minha face
Coberta de alfaces secas
O governo continua num desgoverno insano
Gastando além do que pode
Pagando além do que vale
Enquanto os ratos continuam nos porões
Do que os iguais, de forma justa.
É muito mais fácil adotar o padrão
Do que recriar a criação.
Dizer o que se sabe, quem sabe,
O outro consiga entender
Compreender o elo que se faz
Entre a voz e o que se sente
Não é preciso muita comida prá sobreviver
Mas sempre comemos como se fosse a última refeição
Última afeição
Aberto o alçapão
Aborto
Não é preciso ser muito preciso
Prá aceitar que o dente dói
Pois precisa cair
Sair da boca
Antes que feche
De vez
Ainda vejo por detrás
Do que o monte esconde
Em minha miopia, minha idiotia
Publicada em minha face
Coberta de alfaces secas
O governo continua num desgoverno insano
Gastando além do que pode
Pagando além do que vale
Enquanto os ratos continuam nos porões
sábado, 26 de outubro de 2013
Anônimos
Nasci anônimo
Nenhuma estrela marcou o local de meu nasccimento
E minha família não recebeu nem uma grama
Do que fosse ou parecesse ouro ou mirra...
Assim também nasceram e continuam nascendo
Legiões de anônimos
Numa colônia de cegos que vêem
Mas não conseguem enxergar
Que há por detraz do sorriso?
Sempre pensei que era, simplesmente um riso
Mas até as hienas riem, então,
O que há
E porquê há?
Os evidentes precisam de nós, anônimos
E nós anônimos, do anonimato.
Doadores universais, ó,
Doamos dor e nem sempre há cor
No sangue que escorreu.
O anônimo nasce anômalo e morre anônimo
Têm nomes coletivos como povo, gente, comunidade, população, eleitores, tribo...
Concorrentes a vítimas de decisões espúrias dos evidentes
Que também não enxergam ao longe
Somente para seus próprios umbigos.
O homem já caminhou o suficiente
E não consegue mais voltar
Prefere repetir os mesmos erros
Do que consertar seu desconcertar
Talvez seja preciso demolir
Pra reconstruir
Antes que aconteça a queda
E que as viúvas renasçam
Nenhuma estrela marcou o local de meu nasccimento
E minha família não recebeu nem uma grama
Do que fosse ou parecesse ouro ou mirra...
Assim também nasceram e continuam nascendo
Legiões de anônimos
Numa colônia de cegos que vêem
Mas não conseguem enxergar
Que há por detraz do sorriso?
Sempre pensei que era, simplesmente um riso
Mas até as hienas riem, então,
O que há
E porquê há?
Os evidentes precisam de nós, anônimos
E nós anônimos, do anonimato.
Doadores universais, ó,
Doamos dor e nem sempre há cor
No sangue que escorreu.
O anônimo nasce anômalo e morre anônimo
Têm nomes coletivos como povo, gente, comunidade, população, eleitores, tribo...
Concorrentes a vítimas de decisões espúrias dos evidentes
Que também não enxergam ao longe
Somente para seus próprios umbigos.
O homem já caminhou o suficiente
E não consegue mais voltar
Prefere repetir os mesmos erros
Do que consertar seu desconcertar
Talvez seja preciso demolir
Pra reconstruir
Antes que aconteça a queda
E que as viúvas renasçam
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