Em todo querer há perigo
Pois em um querer só há um lado
Do lado de dois quereres
Pois de um querer há quem aborte
E de outro, abortado
Mãe que nega maternidade
Esposo que nega o indissolúvel
Mudam as falas quando um querer é o mais premente
Mas, o que é liberdade?
Liberdade é jogar o próximo na linha do trem
Ou cantar como trovão em desafino
No ouvido do maestro musicista?
Sufocar a sombra prá livrar-se é danoso
Como a árvore que cresce na floresta
E mata a flora rastejante.
Quando morre a árvore grande
Só resta uma clareira
Sonegada do sol e de vida.
A árvore livre almeja o céu
E passa uma existência sem alcança-lo.
Mesmo sendo livre
Escravizada é pela liberdade
De estar prá sempre
Sempre presa ao chão.

Olá Cleiber
ResponderExcluirParabenizo pelo blog e pela sua poesia, ao mesmo tempo, suave e cáustica - como o Santo Daime!
Cordiais saudações
Wagner Vieira
Grupo Lesma