Desde que o homem é morto,
Afora um milagre como o de Lázaro,
De nada adianta adiantar procedimentos
Aplicar ciência, rezar para que as montanhas mudem
E mudo prometer que nunca mais falará
Pois que o homem é morto
E do pó ao pó voltará.
Desde que o homem é vivo
E como vivo tem o poder da morte
Tanto a morte pelo extermínio
Quanto a morte pelo esquecimento
E em ambas situações
Repete o poder de Deus
Sobre o destino das coisas
E o modo de pertencer
Só como vivo o homem compreende
A incompreensão e também incompreende.
Só como morto o homem descansa de ser vivo
E lutar p´ra continuar a viver.
Se como vivo o homem repete Deus
Como morto o homem esquece Deus
E de como fazer p´ra repetir-se.
O homem, quando deixa de amar,
Castiga com o desamor e assume o medo
Escudo p´ra que o sofrimento não aconteça.
Se não fosse o sofrimento o homem não saberia
O que é prazer e felicidade.

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