quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vida de Mendigo

O mendigo reparte o pão, com o cão
Fiéis na fome, no frio e no cobertor
Estertor falindo, latindo o melhor amigo
Do homem
P´ra chamar a atenção onde os sentidos
Torpes na visão, audição e na dor
http://delirioseparanoias.blogspot.com/2011/01/um-dia-tive-medo-e-pena-de-mendigo.html

O dia a dia é árduo
Batalha inglória para conseguir
O básico do basilar
O fálico de uma presença
Que não seja mera paisagem
De pena e comiseração.

Mas pena de quem e de quê?
Se nossos olhos ficassem metade do tempo
Voltados para o outro, se vendo no outro
Entenderíamos muito mais a nós mesmos
E talvez compreenderíamos que o pão
Nosso de quase todos os dias
Poderia ser partido e abençoado
Pelo milagre dos peixes.

Todo pão tem um meio
Onde encontramos sempre a metade
E cada metade tem um meio
Onde encontramos outra metade
E espantar a fome, o sol, o frio
Antes que daqui há três anos
Novo eclipse total
Aconteça sem que possamos ver
E perceber que em nós também há um ciclo
Estejamos no circo ou no círculo
E que passaremos
Como reis ou serviçais
Mas, passaremos.
Depois de muitos séculos ninguem saberá
De qual ossada armava-se um corpo
Seja de Bill, o Gates, ou do Arlindo, o mendigo

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