segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Passe Livre

Sou do tempo em que passos livres
Era a essência do libertário.
Hoje, nas ruas, clama-se por "passe livre"
Onde as extensão dos passos é roda
E a liberdade é liberalidade.



Não se faz mais hoje, do pau, uma canoa,
Nem do remo o empuxo.
Até as bicicletas perderam a necessidade dos pedais
E os motores, nelas instalados,
 suprimiram a força motora
Dos músculos e tendões.

No meu tempo liberdade era sorver coca-cola
E retornar o casco.
Hoje os cascos são descartáveis
E a natureza, saco de lixo
Que compromete as gerações
Entope o leito dos rios
De plástico e expurgo
Expulsando peixes 
Impregnando de fedor irracional
O ambiente comum.

Onde está a evolução?
O que se aprende com quem veio e ainda vem?

O poder econômico realmente tem poder
De explorar o homem e retornar ao homem
Sua incapacidade de ser eterno
Na sua inata certeza de efêmero

Eu rio e o rio seca
Abandona o leito e se levanta
Prá ir embora, embora todos saibam,
Que ele não volta mais.

Fica a sede e nela o deserto
Espelhando a aridez que vive dentro de nós

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